Olimpíada de Ciências termina em fiasco no Brasil

A falta de dinheiro estragou a festa dos 180 estudantes que participaram da Olimpíada Internacional Júnior de Ciências, realizada pela primeira vez no Brasil. Os meninos e meninas de 31 países se esforçaram para resolver três provas de química, física e biologia, mas a cerimônia de segunda-feira, 11, à noite, que entregaria medalhas aos melhores alunos, foi cancelada horas antes. Para completar o fiasco, as diárias dos estudantes não foram pagas e uma dívida de R$ 250 mil se acumula em hotéis do centro da cidade.Segundo o coordenador da olimpíada, Ozimar Pereira, o dinheiro havia sido prometido pela Presidência da República. Logotipos do governo federal estampavam todo o material de divulgação do evento. Pereira conta que começou a negociar o apoio com o ex-assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Freud Godoy, que foi afastado do Planalto após ser acusado de envolvimento no dossiê Vedoin. ?O Freud tem uma irmã que é professora de Física em São Carlos e por isso estava nos ajudando?, conta.Depois do sumiço de Freud, Pereira diz que continuou a conversar com outros assessores da Presidência e teve a confirmação verbal de que receberiam cerca de R$ 250 mil. Um acordo formal não foi assinado. Procurada na noite de segunda-feira, a assessoria do Planalto informou não ter condições de esclarecer a questão. O evento recebeu cerca de R$ 40 mil do Ministério da Educação (MEC) e apoio da Universidade Paulista (Unip), da Intel, da Universidade de São Paulo (USP), da Embratur e da Prefeitura de São Paulo.Cada delegação paga ainda uma taxa de US$ 1 mil, mas é o país-sede que tem a responsabilidade de bancar estada e alimentação dos estudantes. A Olimpíada Internacional Júnior de Ciências foi criada na Indonésia em 2004 e permite a participação de estudantes de até 15 anos. Seriam distribuídas 20 medalhas de ouro, 40 de prata e 60 de bronze. ?Não dava para fazer a festa como se nada tivesse acontecendo?, diz Pereira. Em alguns países, a premiação ajuda os estudantes a conseguir bolsas em universidades ou melhores empregos.?Fomos totalmente enganados?, disse a estudante indiana que se identificou apenas como Mahajan. À noite, funcionários dos hotéis e responsáveis pelas delegações tentavam resolver o problema. Procurados pelo Estado, os hotéis Ca?d?Oro e Braston não quiseram se pronunciar. Fora os 180 estudantes hospedados, há ainda professores que acompanham os adolescentes. Todos ficaram dez dias no Brasil. As provas acabaram no sábado.

Agencia Estado,

13 de dezembro de 2006 | 17h43

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.