Ocupação da reitoria da UFBA termina com confronto e prisões

Para o reitor Naomar Almeida, a responsabilidade pelo desfecho violento da ocupação é dos próprios alunos

Tiago Décimo,

15 de novembro de 2007 | 13h13

A ocupação que os estudantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) promoviam na reitoria da instituição, em Salvador (BA), há 46 dias terminou, no início da manhã desta quinta-feira, 15, com confrontos entre estudantes e policiais, o que resultou em quatro prisões.   Uma equipe de cerca de 30 policiais federais, acompanhada de um delegado e um oficial de Justiça, chegou ao local por volta das 7 horas. Eles cumpriam decisão judicial de reintegração de posse do prédio da reitoria, expedida na última terça-feira pela juíza Maria Consuelo Santos Marinho, da 6.ª Vara da Justiça Federal de Salvador. Cerca de 40 estudantes estavam na reitoria.   De acordo com o delegado Rodrigo Bastos, à frente da operação, a maioria dos estudantes saiu pacificamente do imóvel, mas alguns se recusaram a colaborar e os agentes tiveram de agir "mais energicamente" em alguns casos - estudantes relatam que houve agressões e uso de spray de pimenta contra eles. "Usamos a força necessária para que a ordem judicial fosse cumprida", afirma Bastos. "Não temos interesse nenhum em machucar ninguém."   No fim, os estudantes Luciana Barbosa, Marcos Grito, Rodrigo Dantas e o presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Gabriel Oliveira, foram detidos por desobediência de ordem legal e resistência de ato legal. Encaminhados à sede da Superintendência da PF em Salvador, foram fichados e levados ao Instituto Médico Legal, onde fizeram exame de corpo de delito. Foram liberados no fim da tarde.   De acordo com os estudantes, dez outros ficaram feridos levemente durante a ação - e foram impedidos de fazer exame de corpo de delito e de prestar queixa pelo ocorrido. A PF alega que, por causa do feriado, este tipo de procedimento está impossibilitado. Segundo um comunicado emitido pelo DCE, o Serviço de Assessoria Jurídica da UFBA que está movendo uma ação para que o exame de corpo de delito seja realizado.   Para o reitor da UFBA, Naomar Almeida, a responsabilidade pelo desfecho violento da ocupação é dos próprios estudantes. "A juíza já havia mandado oficiais de justiça solicitando uma saída pacífica, mas eles não colaboraram", afirma.   Manifestação   No fim da manhã, cerca de 50 alunos da UFBA foram para a frente da sede da PF protestar contra a prisão dos colegas e a violência usada pelos agentes durante a reitegração de posse.   Outro grupo, menor, seguiu para a Faculdade de Medicina, onde os estudantes pretendem continuar manifestando, com o aval da direção da instituição - apesar de a decisão judicial ser extensiva a todas as propriedades da UFBA.   Na pauta de reivindicação dos alunos, estão a ampliação de vários itens da assistência estudantil e a revogação da adesão da universidade ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), decidida pelo conselho da instituição há 25 dias. Na próxima quarta-feira, está marcada uma nova assembléia geral dos estudantes para definir o rumo que o movimento deve tomar.   "A aprovação da adesão ao Reuni foi feita de forma legítima pela instituição e já foi encaminhada ao MEC (Ministério da Educação)", afirma a procuradora-geral da UFBA, Anna Guiomar. "Não há meios de revogar a decisão, é uma reivindicação impossível de ser atendida."   A ocupação teve início depois de um vazamento de gás na cozinha da residência universitária da instituição e cresceu depois que o reitor da universidade, Naomar Almeida, anunciou a adesão da instituição ao Reuni.   Matéria atualizada às 18h58

Tudo o que sabemos sobre:
UFBAOcupação da reitoria

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.