Obesidade nas escolas preocupa uma cidade

A obesidade de crianças e adolescentes preocupa em Ribeirão Preto e as escolas públicas do município adotaram um programa de reeducação alimentar. Uma lei estadual proíbe a venda de doces e frituras nas cantinas e uma lei municipal também adotou o mesmo critério desde abril de 2002. "Estamos adequando as refeições e os lanches aos seus respectivos horários, para não duplicar as refeições das crianças", diz a nutricionista Graziela Vieira Bassan dos Santos, da Divisão de Alimentação Escolar da Secretaria de Educação Municipal de Ribeirão Preto. "O cuidado com a boa alimentação é uma questão cultural", explica a professora de Saúde da Criança e do Adolescente, da Escola de Enfermagem da USP, Maria das Graças Bonfim de Carvalho, sobre os lanches e guloseimas preferidos pelos jovens. Maria das Graças coordena o Programa de Assistência Primária e Saúde Escolar, que mantém um grupo de jovens, entre 10 e15 anos, sob orientação de atividades físicas, educação alimentar, enfermagem e psicologia. "Queremos melhorar a qualidade de vida deles e reeducá-los, pois muitos não sabem da importância de comer verduras e legumes", comenta Maria das Graças, que foi orientadora de mestrado e doutorado de Graziela. "As pesquisas dela estão nos ajudando", emenda a orientadora. A pesquisa de Graziela, aliás, auxiliou a Secretaria de Educação Municipal a preparar uma lei proibindo a comercialização de produtos nutritivos, nas cantinas, que pudessem engordar os alunos. O primeiro levantamento de Graziela foi em 1992, já constatando que 10,2% de crianças da pré-escola, entre 4 e 6 anos, tinham problemas de obesidade. A outra pesquisa, de doutorado, ocorreu em 2002, numa amostragem com 400 estudantes de escolas da rede pública e privada. O resultado, para os dois sexos somados, apontou 16% de sobrepeso e 13,75% de obesidade, seguindo os parâmetros internacionais estabelecidospela Organização Mundial da Saúde (OMS). Separando por sexo, o resultado foi o seguinte: 12,5% de sobrepeso e 13% de obesidade para o feminino, e 21% de sobrepesoe 14,5% para o masculino. Com esses dados, o município usou as informações técnicas, evitando almoços fornecidos nasescolas às 9 e às 15 horas. Agora, o almoço é fornecido após as 11 horas e à tarde é servido apenas um lanche leve, pois amaioria das crianças almoça antes de ir para a escola. Assim, evita-se a duplicação do almoço em casa.Para as crianças mais carentes, as direções das escolas municipais (cerca de 80) podem oferecer o almoço ou o jantar, naentrada ou na saída da instituição. "Todos têm que estar envolvidos nisso", diz Graziela.

Agencia Estado,

10 de fevereiro de 2004 | 16h50

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