'O vírus não difere escola de shopping ou igreja'

Esper Kallás: infectologista da Universidade de São Paulo

Simone Iwasso,

30 Julho 2009 | 15h35

Na avaliação do médico infectologista Esper Kallás,pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), o adiamento do retorno às aulas por duas semanas não terá impacto significativo na contenção da transmissão da gripe suína.     Prolongar as férias ajudará a diminuir a transmissão do vírus?  O efeito de uma medida como essa na contenção da epidemia é restrito, como já afirma a Organização Mundial da Saúde, porque as pessoas continuam se socializando. O vírus não difere escola de shopping, igreja ou cinema. Ele já está circulando no País, por isso o efeito é pequeno. A transmissão só seria contida mesmo se todas as pessoas ficassem isoladas, sem nenhum contato, por uma semana, o que não é possível.     Seria mais eficaz apenas orientar que estudantes com sintomas da gripe ficassem em casa?  Não é que seria mais eficaz, mas sim que, pelos dados epidemiológicos que temos, teria o mesmo impacto.   O senhor acredita que está havendo exagero? Os dados de internações que temos estão mostrando o que acontece todos os anos, mas que nunca recebeu tanto holofote, que é o impacto da gripe sazonal associada à pneumonia na população. Todos os anos temos mortes provocadas por gripes e pneumonias e não temos controle nem notificações controladas.      Publicado na versão impressa em 30 de julho de 2009.

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