O sociólogo Francisco de Oliveira fala o que queria saber aos 21 anos

Em seção do Estadão.edu, Oliveira lembra dos tempos da faculdade de Ciências Sociais

Carolina Stanisci, Especial para Estadão.edu

23 Novembro 2009 | 23h49

O sociólogo Francisco de Oliveira, em entrevista ao Estadão.edu, fala sobre o que queria saber aos 21 anos. Na época, Francisco estudava da Universidade de Recife, hoje Universidade Federal de Pernambuco, e não via claramente o futuro que o esperava. "No ano da campanha de Juscelino Kubitschek à presidência da República eu tinha 21 anos. Estava na Universidade do Recife, hoje conhecida como Universidade Federal de Pernambuco. Já era socialista, filiado ao Partido Socialista Brasileiro. Minha militância era estudantil e partidária, embora o partido fosse muito fraco. Não estava, como o Partido Comunista, na clandestinidade – o que não é um elogio. Para ter uma ideia, o Partido Socialista apoiou em 1955, nessa eleição do Juscelino, o Juarez Távora, que era um candidato da direita, com retórica moralista. Fui contra e nem fiz essa campanha. Estava no 3º ano de Ciências Sociais e morava com meus pais. Estudava e trabalhava no Banco do Nordeste. Fui bancário dos 14 aos 21. Quando entrei no Banco do Nordeste me dei por satisfeito. Parecia uma carreira sólida. Tínhamos seis horas de trabalho, do meio-dia às 18 horas. Estudava à noite e lia o que dava pela manhã. Não era dramático estudar e trabalhar. Dava para conciliar. Na época, meu futuro não era claro para mim. O que poderia fazer com o diploma de sociólogo no Recife? Se pudesse escolher o que gostaria de saber aos 21 anos, escolheria saber mais sobre minha área acadêmica. Meu curso era fraco, de província. Os professores eram improvisados. Queria ter tido acesso a uma bibliografia mais rica. Queria ter estudado mais Marx naquela época. Para ler Marx ou se falava alemão ou se comprava as edições panfletárias publicadas pelo Partido Comunista. Depois de formado, aos poucos fui lendo e supri minhas carências." 

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