O que muda com a unificação ortográfica entre países lusófonos

Os portugueses eram os principais opositores das alterações; para eles, as mudanças serão mais significativas

da Redação, estadao.com.br

16 de maio de 2008 | 16h27

Representantes dos oito países que falam português (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor Leste) decidiram, em 1990, que unificariam as regras do idioma, com o intuito de simplificar a comunicação entre os lusófonos. No ano passado, o Ministério da Educação iniciou as mudanças nos livros didáticos e pretende que elas sejam plenamente implementadas em 2009.     Veja também:  Parlamento português aprova novo acordo ortográfico Acordo ortográfico deve entrar em vigor no Brasil em 2009 Acordo ortográfico divide opiniões de especialistas   Para que as regras fossem realmente unificadas, era preciso que os países ratificassem as mudanças. O Congresso Nacional brasileiro, por exemplo, fez isso em 2007. A maior resistências à reforma vinha exatamente de Portugal - país onde as mudanças deverão ser mais profundas e de maior impacto para a população. As tentativas de unificação ortográfica dos países lusófonos são antigas. No Brasil, já houve duas reformas ortográficas (uma em 1943 e outra em 1971). Em Portugal, a última reforma aconteceu em 1945. Mesmo assim, há várias diferenças entre Brasil e Portugal.   As principais mudanças nas regras   O fim do trema: o acento seria totalmente eliminado. A palavra 'freqüente' passa a ser escrita 'frequente'.   Eliminação de acentos em ditongos: acaba o acento nos ditongos 'ei' paroxítonos. Dessa maneira, 'idéia' vira 'ideia'.   Acento circunflexo: quando dois 'os' ficam juntos também some. Logo, 'vôo' vira 'voo'.   Cai o acento diferencial: o acento que diferenciava palavras homônimas de significados diferentes acaba. Conseqüentemente, 'pára' do verbo parar vai ficar apenas 'para'.   Hífens: sai a maioria dos hífens em palavras compostas. Assim, pára-quedas vira paraquedas. Será mantido o hífen em palavras compostas cuja segunda palavra começa com h, como pré-história. Em substantivos compostos cuja última letra da primeira palavra e a primeira letra da palavra são as mesmas, será feita a introdução do hífen. Assim microondas vira micro-ondas.   Inclusão de letras: as letras antes suprimidas do alfabeto português (k, y e w) voltam, mas só valem para manter as grafias de palavras estrangeiras.   Fim das letras mudas: Em Portugal, é comum a grafia de letras que não são pronunciadas como 'facto' para falar 'fato'. Elas sumirão.   Dupla acentuação: foi mantida a diferença de acentuação entre o português brasileiros e o lusitano. É comum quando se fala do acento circunflexo e agudo: assim, nós escrevemos 'econômico' e eles, 'económico'.

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