O que é transgênico <!-- o que são transgênicos -->

Imagine que você tenha um pomar com alguns pés de laranja pera. Um pé produz laranjas mais doces; o outro pé produz em maior quantidade, embora as laranjas sejam menos doces.Para obter um pé de laranja que produza frutos doces em maior quantidade, os cientistas selecionam estes indivíduos, que são submetidos a cruzamentos sucessivos, realizados manualmente, com a transposição de pólen.Após muitos anos, são gerados outros indivíduos melhorados, ou organismos geneticamente modificados (OGMs).Cada organismo é caracterizado por um conjunto determinado de genes, o código genético. Com base nisso, os cientistas começaram a isolar (melhoramento genético clássico) estas características desejáveis de espécies afins e também de espécies distintas.Assim, quando um ser vivo recebe um gene de uma outra espécie de animal ou vegetal, ele é chamado transgênico.Então há uma diferença conceitual entre os termos "OGM" e "transgênico"?Sim. Uma laranja, como o caso citado, é um organismo geneticamente modificado pelo melhoramento clássico, mas não é um transgênico. Se esta mesma laranja tiver recebido genes de tomate que lhe atribuam uma coloração melhor, será uma laranja transgênica, e não apenas um OGM.Quer dizer que os povos antigos das américas, que faziam cruzamento de variedades de milho há 4 mil anos estavam produzindo OGMs?Sim, ao cruzar estas variedades de milho(mesma espécie), eles estavam produzindo OGMs segundo a identificação de características desejáveis deste ou daquele milho, coisa que na natureza não ocorre, pois a polinização se dá de forma aleatória pela ação do vento, de pássaros e insetos.E quando surgiram os transgênicos?A partir do final da década de 70, a revolução que ocorre na engenharia genética revoluciona a biotecnologia "clássica" dando origem à "nova" biotecnologia. Assim, a manipulação do código genético possibilita induzir uma célula a fazer algo para o qual ela não estava programada. O primeiro produto derivado de um organismo transgênico a chegar ao mercado foi a insulina, em 1982. Produzida por uma bactéria geneticamente modificada com um gene humano, ela substituiu com vantagens a insulina extraída de bois e porcos que, apesar de ser parecida com a humana, não era idêntica, causando reações alérgicas nos diabéticos.Por que há tanta resistência e debates quanto aos transgênicos?Há muito dinheiro envolvido. Esta discussão envolve questões complexas como saúde, economia, segurança alimentar e biodiversidade, entre outras. Empresas de biotecnologia ligadas à agricultura argumentam sobre as vantagens da utilização dos produtos por elas desenvolvidos. Parte da comunidade científica alega que os OGMs podem modificar radicalmente, para melhor, o cenário da agricultura mundial. Professores e pesquisadores de diversas entidades destacam a necessidade de maior apoio governamental à pesquisa biotecnológica, para que o Brasil não fique à margem dos avanços tecnológicos.Quais são os principais argumentos a favor dos transgênicos?  As plantas geneticamente modificadas recebem características que suas antecessoras não tinham, tornando-as mais resistentes ao ataque de insetos e doenças, reduzindo a utilização de agrotóxicos e defensivos. Esta redução já representa um ganho, uma vez que os agrotóxicos respondem por uma grande parcela dos danos causados ao meio ambiente e à saúde humana.  As plantas transgênicas podem ser adaptadas às mais variadas características de solo e variações de temperatura, além de uma série de outras condições de plantio etc. Com estes benefícios a agricultura poderá aumentar a produção de alimentos com uma significativa diminuição dos custos. No Brasil o grande debate gira em torno de soja, milho, algodão e canola.  Hoje, mais de 400 produtos de uso médico são produzidos através da contribuição de microrganismos transgênicos. Estes medicamentos vão desde a vitamina C a medicamentos contra a aids. (leia os argumentos mais detalhados)Quais são os principais argumentos contra os transgênicos?  Os estudos sobre os riscos dos OGMs transgênicos para a saúde e o meio ambiente não estão concluídos. Os testes feitos nos Estados Unidos e Europa não são válidos para o Brasil e muitos são contestados por cientistas.  O cultivo de transgênicos reforça a tendência à uniformidade genética na agricultura, com grandes monoculturas utilizando poucas variedades da mesma espécie. Esta uniformização torna as culturas mais suscetíveis a pragas e doenças, levando a demandas cada vez maiores por agrotóxicos.  Os transgênicos podem afetar os ecossistemas. Junto com as pragas e ervas daninhas que buscam eliminar, também prejudicam populações benéficas à agricultura, como abelhas, pássaros, minhocas e outros animais ou espécies de plantas.  A irreversibilidade. Num sistema convencional, pode-se parar a aplicação de agrotóxicos e, depois de um tempo, restabelecer um equilíbrio entre insetos-praga e seus predadores. No caso dos transgênicos, uma vez liberados na natureza, não é possível desfazer os impactos nos ecossistemas ou controlar os processos de transgênese espontânea que porventura venham a ocorrer.  Uma agricultura sem transgênicos e sem agrotóxicos é totalmente viável e pode ser extremamente competitiva. Vários estudos comprovam um aumento de produtividade de 100% a 300% em várias culturas com a utilização de técnicas orgânicas perfeitamente ajustadas ao meio ambiente.  Alimentos transgênicos com genes que conferem resistência a antibióticos podem provocar a transferência desta característica para bactérias existentes no organismo humano, tornando-se uma enorme ameaça à saúde pública. Testes em laboratório demonstraram que cobaias alimentadas com transgênicos apresentaram alterações no sistema imunológico e em vários órgãos vitais.  Segurança alimentar: Monsanto, Novartis, Pioneer e Agrevo respondem pela grande maioria das sementes de variedades transgênicas registradas no Brasil e estão entre as maiores do mundo. Com a substituição das cultivares tradicionais pelas transgênicas, estaremos subordinados aos interesses destas empresas. Há ainda o risco de estas empresas adotarem de forma generalizada uma operação transgênica chamada terminator - vender apenas sementes estéreis, deixando os agricultores impedidos de produzir suas próprias sementes. (leia os argumentos mais detalhados)

Agencia Estado,

01 de dezembro de 2004 | 14h57

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.