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O novo Gmat

Exame mudou no dia 5 e agora avalia habilidade do aluno em extrair dados de fontes diversas, como gráficos e tabelas; escolas de negócios só devem usar nota de nova seção ano que vem

Carlos Lordelo e Cristiane Nascimento, especial para Estadão.edu,

25 Junho 2012 | 22h35

Graduate Management Admission Test (Gmat) está de cara nova. O exame, usado por escolas de negócios de todo o mundo na seleção de candidatos a cursos de MBA, perdeu uma das redações e estreou uma seção chamada Integrated Reasoning (IR). Com isso, a prova passa a avaliar a habilidade de análise de dados e informações apresentadas em diferentes formatos, como tabelas, gráficos, quadros e planilhas.

Agora o candidato deve saber, entre outras coisas, trabalhar com filtros em planilhas eletrônicas e extrair informações de gráficos cartesianos. Se quiser, pode usar uma calculadora virtual.

Segundo o Gmac, órgão responsável pela prova, essas são habilidades importantes para ter sucesso na aula e no mundo dos negócios. A mudança ocorreu após uma pesquisa que ouviu 740 professores apontar a necessidade de o exame exigir dos futuros alunos a capacidade de pensar de maneira integrada.

Permaneceram intactas as seções de análise verbal e quantitativa, que mensuram inglês, matemática e raciocínio lógico. Saiu a redação Analysis of an Issue – uma espécie de dissertação argumentativa – e continuou a Analysis of an Argument, na qual o candidato deve analisar os argumentos de um texto indicado pelo Gmat. A duração da prova manteve-se em 3 horas e 30 minutos.

Anunciada há dois anos, a transição ocorreu no dia 5 deste mês. Mesmo com a divulgação de exemplos das novas questões feita pelo Gmac, candidatos brasileiros quiseram evitar surpresas e marcaram para fazer a prova antes de as alterações entrarem em vigor.

Ou pelo menos tentaram. O consultor Tiago Sommacal, de 25 anos, marcou o teste para 4 de junho, mas três semanas antes o centro de aplicação do Gmat em São Paulo ligou para avisá-lo que não haveria mais provas naquele dia por conta da atualização do sistema. Restou a Tiago encarar o novo formato do exame.

“Estava difícil conseguir horário antes da mudança”, afirma o consultor, formado em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele fez aulas extras sobre IR no cursinho preparatório MBA House e resolveu questões do simulado oficial do Gmat. Tiago não sabe como se saiu na nova seção, que tem 12 problemas para serem respondidos em 30 minutos. Deve receber o resultado esta semana. “Acho que acertei 4 ou 5.”

O consultor se diz tranquilo com o desempenho, porque é consenso entre os especialistas de que a nota na seção estreante não deverá ser levada em conta pelas escolas no próximo ciclo de admissões. As universidades americanas, por exemplo, costumam abrir os processos seletivos em outubro.

Ao Estadão.edu, o diretor de Admissões do MBA de Wharton, Ankur Kumar, disse, por e-mail, que “espera ansiosamente” o feedback do Gmac sobre a performance dos candidatos em IR e a calibragem da pontuação da nova seção, um processo que só terminará no fim deste ano. Por isso, a escola de negócios da Universidade da Pensilvânia não usará a nota na sua próxima seleção.

Assim como Wharton, as espanholas Iese e IE lembram que a nota no Gmat compõe parte do processo de candidatura (o application). Isso também se aplica à Escola de Administração de Empresas da FGV-SP. A faculdade usa a pontuação no exame na seleção de alunos para o mestrado profissional em Administração e o OneMBA, oferecido em parceria com instituições da China, Holanda, México e EUA.

“O Gmat mostra muita coisa. Uma nota baixa serve como alerta de que o candidato pode ter dificuldade no curso”, diz Sílvia Sampaio, coordenadora executiva dos programas que adotam o exame na FGV. “Também dá para ver o comprometimento. Se a pessoa não se dedicou para fazer uma boa prova, é provável que não corresponderá às exigências do programa.”

Dedicação é um ingrediente fundamental para quem quer mandar bem no Gmat. A economista carioca Adriana Franco, de 33, passa cerca de quatro horas por dia resolvendo questões da prova. “Por ser recente, não tem muito exercício para fazer. O desafio é o cronômetro”, diz a gerente de Projeto da IBM, que deve fazer o exame em três meses. Com média de 2 minutos e meio para cada problema, a nova parte mantém a tradição da prova de desafiar candidatos a controlar o tempo. “As questões, em si, não são difíceis.”

Para o consultor de RH Ricardo Betti, o Gmat não mede conhecimento, mas a velocidade de resposta do candidato. “É uma prova de muitos macetes, por isso é arriscado se preparar sem a ajuda de professores especializados, que ensinam truques ‘agilizadores’.”

Mestre pelo Instituto de Matemática e Estatística da USP, Fábio Skilnik prepara alunos para a parte quantitativa do Gmat. “A prova é extraordinariamente bem feita. Com uma visão mais técnica do exame, o candidato sofre menos e economizar tempo.”

A primeira dica de Fábio para controlar melhor o tempo – e as emoções – é esquecer a “regra dos 2 minutos por questão”. Segundo ele, há problemas que exigem até 4 minutos de dedicação e outros solucionáveis rapidamente, usando raciocínio lógico.

O Gmat usa questões adaptativas: o grau de dificuldade dos itens varia de acordo com o desempenho de cada aluno. O exame só pode ser feito por computador e o candidato visualiza um problema por tela. Ele não pode voltar atrás caso se arrependa de uma resposta. Se a solução for correta, em seguida virá um teste mais difícil (e vice-versa). Assim, o software mapeia as habilidades e competências do concorrente e lhe atribui automaticamente, no fim, uma nota de 200 a 800 na soma das seções verbal e quantitativa. A pontuação situa o aluno numa régua e diz, em termos relativos, quantas outras pessoas, nos últimos três anos, tiraram nota igual ou semelhante. No ranking atual, só 1% dos candidatos consegue mais de 760 pontos no Gmat. Tiago tirou 740 no dia 5.

Caso o aluno ache que não foi bem, pode cancelar a nota antes de vê-la. A pontuação some do sistema. Alguns fazem isso porque as escolas de negócios têm acesso a todo o registro da participação dos pretendentes no Gmat.

Os interessados podem prestar o Gmat a cada 31 dias e até cinco vezes no período de um ano. A inscrição custa US$ 250 e a prova tem validade de cinco anos. A dinâmica exige um banco de questões robusto. Assim como o Enem, o Gmat adota a Teoria da Resposta ao Item (TRI), que prevê a realização de pré-testes para calibrar a dificuldade das perguntas. No caso do exame internacional, os itens são pré-testados constantemente, dentro das provas “de verdade”, sem que os alunos saibam quais problemas estão ali com esse objetivo.

O publicitário Paulo Fassina, de 28, faria a prova ontem, pela primeira vez. Diretor de Marketing da Rocket Internet GmbH, o paulistano, que busca vaga em Kellogg ou na Universidade da Califórnia em Berkeley, estava confiante. “Trabalho diariamente com planilhas e gráficos. Talvez por isso a parte de IR não me intimide.”

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