Alex Silva/AE
Alex Silva/AE

O Enem e suas histórias

Candidatos perdem prova por causa de ônibus, namoram às vésperas e até amamentam durante o exame

Estadão.edu

23 Outubro 2011 | 15h09

Se cada um faz sua história, o Enem deste ano renderia 5,3 milhões de pequenos contos. São casos de estudantes inscritos para fazer as provas e que chegam atrasados. Alunos que aproveitam os últimos minutos antes do exame para namorar. E até o da mãe que deixou de responder a 5 questões para amamentar a filha recém-nascida.

Em São Paulo, cerca de 20 pessoas não conseguiram chegar a tempo da prova ao câmpus da Unisa em Santo Amaro, zona sul. Todas reclamaram da mesma linha de ônibus, a 675X-10, que liga o terminal do Grajaú, zona sul, ao Metrô Vila Mariana. Segundo elas, os carros da linha estavam demorando muito para sair do ponto inicial.

A candidata Fabiana Santos, de 21 anos, enfrentou a situação. “Cheguei por volta das 11h20 e fiquei 40 minutos esperando pelo ônibus. Quando ele chegou, tivemos que esperar mais 30 minutos para finalmente sair dali.”

No câmpus da Unip no Paraíso, também na zona sul, um senhor de bengala foi o último candidato a entrar no local de prova. Ele caminhava com dificuldade e entrou no último minuto. Já o primeiro a ficar de fora foi Ítalo de Sousa, de 17 anos. Ele veio correndo pela Rua Vergueiro, mas encontrou o portão fechado. “O celular não me despertou”, disse Ítalo, ofegante. "E meus parentes tinham saído de casa. Agora, é comprar um despertador melhor."

Já o casal de namorados Gustavo Willian e Giulia Grecco chegaram antes das 11h30 à Unip. A sintonia era tão grande que os dois traçaram a mesma estratégia para a prova de hoje: fazer a redação antes das 90 questões objetivas de matemática e de Linguagens e Códigos. “Tem que se prevenir, não é?”, disse Giulia, sobre chegar com 1 hora e 30 minutos de antecedência.

Tempo extra

Em Salvador, os candidatos que fizeram a prova de hoje no Centro Universitário Estácio da Bahia (Estácio-FIB), no Stiep, ganharam da coordenação do Enem no local tolerância de 4 minutos após as 13h, horário do fechamento dos portões.

O tempo extra “salvou” sete candidatos de perder a prova – o último, vendo o portão fechando, largou sua moto no meio da rua e correu, com capacete, para dentro da faculdade. A moto foi retirada da via por uma policial militar, ajudada por vendedores ambulantes que estavam nas redondezas.

Em Recife, o Benoit Mota de Almeida, de 17, até chegou cedo, mas foi barrado ao tentar usar carteira de estudante como documento de identidade pela 2.ª vez, neste domingo. Ele chegou ao local por volta das 11h30, mas só percebeu o problema às 12h30. Não teve mais tempo para encontrar uma saída desesperada: fazer um boletim de ocorrência, dizendo que havia perdido o documento. E nem de esperar os pais virem de Olinda, onde mora e onde esqueceu a identidade, distante cerca de 40 minutos de carro. “Perdi um ano por falta de atenção”, afirmou, à espera de uma “tremenda bronca” da família.

Também na capital pernambucana, a filha recém-nascida não impediu que Adriana Albuquerque de Almeida, de 21 anos, fizesse o Enem. Nesses dois dias de prova, ela contou com a ajuda da irmã e da organização do exame para cuidar do bebê enquanto responde às questões numa sala ao lado, na Universidade Católica de Pernambuco.

Ontem ela teve de sair duas vezes da sala para amamentar Ana Beatriz, de apenas 22 dias. Somadas, as sessões duraram 50 minutos, o que fez Adriana deixar de fazer 5 das 90 questões da prova de Ciências Humanas e Ciências da Natureza. "Com minha filha aqui, fico mais tranquila", disse. Coisas de mãe. / COM ÂNGELA LACERDA, CEDÊ SILVA, MARIANA MANDELLI E TIAGO DÉCIMO

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