Felipe Rau/ESTADÃO
Áurea Bazzi, coordenadora do Colégio Albert Sabin, teve de planejar dez aulas extras por semana para alunos recuperarem conteúdo  Felipe Rau/ESTADÃO

O Enem da pandemia

Alunos falam da dificuldade em manter o foco nas aulas remotas em 2020; retomada do ensino presencial é visto como oportunidade de tentar recuperar o que não foi aprendido da forma mais eficaz online

Ocimara Balmant e Alex Gomes, Especiais para o Estadão

16 de novembro de 2020 | 09h30

O ano de 2020 é o primeiro desde a criação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), há mais de duas décadas, em que não haverá a edição do grande vestibular nacional. As provas do Enem da pandemia serão realizadas apenas em 2021. Pode até parecer que os quase 6 milhões de inscritos ganharam mais tempo para estudar. Mas, em um ano letivo tão atípico, o que se vê são os colégios fazendo maratonas para dar conta de preparar seus estudantes com todo o conteúdo necessário.  

Na rede particular, mesmo com as escolas tendo cumprido a grade curricular com as aulas remotas, a retomada das atividades presenciais tem sido um tempo de estudo intensivo com vistas a recuperar o que pode não ter sido apreendido da forma mais eficaz no período de encontros online. 

É o caso do Colégio Albert Sabin. Lá, os alunos do 3.º ano do ensino médio que voltaram à escola têm aulas de segunda a sexta-feira ao longo do dia todo, das 7h10 às 17h15. Para a retomada, a escola aplicou uma avaliação diagnóstica com o objetivo de constatar os conteúdos em que os alunos mais precisavam aprofundar conhecimentos. 

“A partir disso, programamos um acréscimo de dez aulas presenciais por semana no contraturno, para que os estudantes consigam fortalecer seus repertórios nas diferentes áreas do conhecimento”, explica Áurea Bazzi, coordenadora pedagógica do ensino médio. “Ademais, vamos oferecer aulas na primeira semana de janeiro para encorajá-los ao enfrentamento dos vestibulares e do Enem.” As aulas no Sabin ocorrem em grandes espaços, com distanciamento de um metro e meio entre os alunos, e transmissão ao vivo para quem não pode ou não deseja estar na escola. 

No Colégio Pioneiro, os alunos têm feito simulados periódicos de preparo para o Enem. As provas até utilizam a TRI, sigla para Teoria de Resposta ao Item, modelo usado na correção do exame. Por meio dela, as notas são dadas a partir de uma padrão de respostas do candidato para perguntas consideradas fáceis, médias e difíceis.

Além dos simulados, realizados de forma remota, as aulas também estão focadas na revisão. Metade da turma segue acompanhando o conteúdo de forma virtual. A que optou pelo retorno parece mais do que nunca focada em aprender. “Quem voltou está aproveitando até mais do que o normal, porque era tanto tempo longe da escola que a atenção fica mais concentrada. Mas, é importante dizer, quem está em casa tem acesso ao mesmo conteúdo”, afirma Alvaro Vieira Neto, coordenador pedagógico do ensino médio.

Exame pode acentuar disparidade entre alunos

Se na rede privada voltar ou não a uma sala de aula tem sido uma opção de cada aluno, na pública a maioria dos estudantes continua sem uma data prevista de retorno à escola. Durante os meses de pandemia, também é clara a disparidade de acesso e de qualidade de interação remota. 

“Estamos em um ano extremamente atípico, ninguém imaginava o que viveríamos. Os alunos estiveram privados do ensino, porém isso não atingiu a todos de forma igual. Marcar o Enem para janeiro é botar os candidatos para disputar em condições muito adversas”, argumenta Ocimar Munhoz Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).  

Alavarse é um entre tantos educadores que se opuseram à data da prova, considerada prematura demais para alguns ou até sem necessidade para outros. Isso porque as notas do próximo Enem não serão obrigatórias para as inscrições no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que reúne vagas no ensino superior público, e no Programa Universidade para Todos (ProUni), que dá bolsas em faculdades privadas. As inscrições poderão ser feitas com os resultados obtidos em 2019. 

“Que rede pública retomou plenamente suas atividades? O que vemos são três ou quatro alunos em sala. E, mesmo quanto ao ensino remoto, muitos estudantes têm de se virar com os seus celulares, o que todos sabem que não é o melhor dispositivo para estudar”, diz ele. “Se você não deu condições iguais de preparo, e isso não foi dado, essa medida atenta contra a justiça, fere a democracia e gera mais desigualdade.” 

Alunos contam como estudaram na pandemia

Letícia Govea, aluna do Colégio Vital Brazil, em São Paulo: “Vou prestar Ciências Biomédicas nas universidades públicas. Meu preparo para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) segue o planejamento da escola, com aulas e simulados. Esses últimos são muito bons porque me ajudam a ter um feedback sobre o meu desempenho. Porém, com o isolamento social, foi muito difícil encontrar o equilíbrio e manter o foco nos estudos."

"Criei uma rotina de horários para me preparar em casa para não perder os prazos de entrega das atividades escolares. Ao mesmo tempo, me organizei para não me desgastar exagerando no estudo, para não desanimar com as dificuldades ou me entristecer por render menos. Ficar em casa é bem mais difícil por conta da falta de convívio com os professores e meus colegas de classe. Mesmo com todo o suporte que tivemos nas aulas online, a interação com a sala ficou bem reduzida. 

Outro ponto era compartilhar os problemas que tínhamos em alguma disciplina, pois quando estamos em casa dá a impressão de que as dificuldades só acontecem comigo. Com o retorno às aulas presenciais, percebi como meus colegas tinham as mesmas dúvidas. Agora, pretendo me organizar e revisar em casa conteúdos que acredito que preciso melhorar para o Enem. De um modo geral, independentemente do formato de estudo, estamos vivendo um ano difícil para quem quer ingressar em uma universidade. Manter o foco e a determinação é o segredo para não desanimar.” 

Kaique Oliveira, estudante do Cursinho da Poli: “Concluí o ensino médio há dois anos, em escola pública. Vivo com os meus avós no Capão Redondo, extremo sul da cidade, e trabalho com um tio em uma empresa de eventos, assim consigo arcar com os custos do cursinho. Infelizmente, com a pandemia, perdi o outro emprego que tinha como auxiliar mecânico de manutenção, o que complicou minha situação. Sou fascinado pela área tecnológica de automação, cheguei a fazer um curso de mecânica de usinagem no Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) para me envolver mais com esse universo. Lá conheci melhor as indústrias, tanto em visitas como em feiras. Isso me impressionou e, por isso, quero uma vaga em Engenharia.

Minha rotina é acordar às 7 horas, tomar um café e fazer um pouco de ginástica, para melhorar meu bem-estar e, assim, render mais. Das 8 horas às 16h30, assisto às aulas remotas do cursinho. Das 16h30 às 19h30, faço os exercícios com as apostilas e pela internet. Vejo as provas passadas e faço os simulados. Tento dar o meu melhor.

Quanto às provas, meu foco é a Fuvest, que considero mais disciplinar e didática, diferente do Enem. Nas provas de Matemática, por exemplo, a Fuvest tem muitos cálculos, no Enem vejo mais os conceitos, acho mais fácil.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Enem: 100 mil estudantes farão o exame em formato digital em 2021

Adoção do formato online para todos os candidatos é prevista para 2026; nesta edição, provas, questões e datas diferentes

Alex Gomes, Especial para o Estadão

16 de novembro de 2020 | 09h30

Esta edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) reserva outra novidade: pela primeira vez haverá uma edição digital da prova. É o piloto de uma proposta que prevê que até 2026 o exame seja totalmente online. Anunciado em 2019, o Enem Digital será aplicado em 31 de janeiro e 7 de fevereiro de 2021 para cerca de 100 mil inscritos. O número foi estipulado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela avaliação. Segundo o órgão, houve uma procura significativa de participantes mais velhos para o Enem digital, com 36,3% dos inscritos com idade entre 21 a 30 anos, e 19% entre 31 a 59.

O Enem Digital 2020 será aplicado em 110 cidades em todos os Estados e no Distrito Federal. A realização se dará em lugares e computadores definidos pelo Inep, com a mesma estrutura da prova impressa: 180 questões e a Redação. As perguntas e o tema da dissertação serão diferentes, já que as provas serão aplicadas em datas distintas.

No futuro, há a expectativa de usar recursos multimídia como vídeos ou games e de poder aplicar o Enem ao longo do ano, por agendamento, no País todo. Segundo o Ministério da Educação (MEC), a adoção do exame digital ainda trará economia, por dispensar a impressão de papel. Somente em 2019, foram impressas cerca de 10 milhões de provas. Os custos da aplicação, de acordo com a pasta, superaram os R$ 500 milhões.

Apesar das vantagens aparentes, os especialistas se preocupam com possíveis desafios que o meio pode oferecer a candidatos sem a devida familiaridade com a realização de testes virtuais. Ao optar pela prova digital sem o conhecimento sobre as características do processo, talvez um candidato possa ter feito uma escolha que o prejudicou.

“O aluno pode acreditar que pode fazer uma prova digital por estar familiarizado com computadores e celulares. Isso é um erro. Há particularidades como o posicionamento dos itens na prova, o processo de leitura e análise de textos em uma tela, que é diferente de se ver no papel, ou mesmo a impossibilidade de usar o caderno de questões para anotações e cálculos na mesma área da questão, algo comum em provas de Matemática”, diz Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Clima e crise de saúde podem estar na Redação

Nas questões em geral, vale a característica principal do Enem: interdisciplinaridade

Alex Gomes, especial para o Estado

16 de novembro de 2020 | 12h00

Mudanças climáticas, pandemia, eleições pelo mundo, automação do trabalho. Temas como esses, na capa de portais de notícias pelo mundo, são os que especialistas e educadores apontam como prováveis assuntos da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Nas redações do Enem, o tema sempre vem com uma proposta de intervenção social da atualidade, por isso é importante estar por dentro do que acontece no Brasil e no mundo, e das alterações legislativas que foram pautas em 2020”, afirma Hydnea Ponciano, Gerente de Avaliação e Indicadores Educacionais da Somos Educação. 

Leia Também

O Enem da pandemia

O Enem da pandemia

A aposta da educadora para este ano é o Marco Legal de Saneamento Básico. A norma, sancionada em julho pelo governo federal, tem por meta o fornecimento de água potável a 99% da população até 2033 e tratamento e coleta de esgoto a 90%.

Neste ano em que “lockdown” foi escolhida pelo dicionário Collins como a palavra de 2020, a pandemia é séria candidata a tema da Redação no Enem. “É bom estar atento ao direito à saúde, com a importância do SUS (Sistema Único de Saúde). Assuntos relacionados à cidadania são caros aos elaboradores do Enem”, ressalta Fabiula Neubern, coordenadora de redação do Curso Poliedro.

Mesmo que o tema não seja cobrado diretamente, outras facetas da saúde que vieram à tona com a pandemia podem surgir como tema. “A aplicação da tecnologia, com a telemedicina, ganhou destaque em 2020. Reflexões sobre saúde mental e problemas como depressão, cyberbullying e suicídios podem ser solicitadas no exame.”

Fique atento. Já a sugestão da professora responsável pelo laboratório de redação do Curso e Colégio Objetivo, Maria Aparecida Custódio, é que os alunos fiquem atentos às campanhas realizadas pelo governo federal. “Atualmente há uma grande ação visando a denúncia de abuso sexual contra crianças e adolescentes, algo que pode ser analisado no Enem”, aponta Maria Aparecida. “Outros temas em pauta são a valorização do idoso, considerado população de risco e vítima de preconceitos na pandemia, e a violência contra a mulher.”

Em contrapartida, ela acredita que temas espinhosos devem ficar de fora. “Acho muito difícil que sejam abordadas as questões ambientais. A maior parte dos problemas, como desmatamento, incêndios criminosos e desmonte de políticas de fiscalização, podem depor contra o próprio governo”, afirma.

Sonia Santos, professora do Curso Preparatório Desafio Enem, do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal) destaca que mais importante do que cogitar temas é se aprimorar. “Tenho alunos que não param de perguntar sobre o que vai cair. Digo que não devem se prender a isso. Desenvolvam a prática argumentativa, usem o projeto do texto. O Enem é uma prova técnica, tem estrutura dissertativa. A prática é fundamental, um trabalho duro, mas rende bons frutos.”

Junte tudo. E, para o restante da prova, dá para prever alguma coisa? Sim, dizem os professores de cursinho, que acompanham ano a ano o que cai e transformam esse levantamento em estatística e, claro, previsão. Um dos consensos é de que o candidato deve estar preparado para a principal marca do Enem: perguntas que envolvam interdisciplinaridade.

“Toda questão do Enem contém um contexto, no qual o candidato é chamado a resolver um problema. Os contextos podem exigir que se apliquem conhecimentos de mais de uma disciplina”, diz Gilberto Alvarez, diretor do Cursinho da Poli. Isso significa, por exemplo, que questões de Matemática não exigem só a resolução de cálculos e contas. Segundo o edital do Enem, a prova avalia habilidades como “dominar linguagens, compreender fenômenos, enfrentar situações-problema e construir argumentação”.

Para Alvarez, a covid-19 pode aparecer nessa prova. “Aposto muito em questões sobre a curva de contaminação, que começa exponencial, vira um platô e cai de novo de forma exponencial. Vimos matemáticos sendo chamados na imprensa para discutir a curva que aparece todo santo dia. Então há altíssima chance do Enem abordar, com interpretações de gráficos e tabelas por exemplo”, lembra. 

O QUE DEVE CAIR DAS MATÉRIAS

Ciências da Natureza

Em determinadas áreas do Enem, há temas que são velhos conhecidos de quem acompanha os exames e provavelmente farão parte da próxima edição. É o que se espera em questões de Física. “O que deve vir em peso são temas de mecânica, dinâmica, trabalho, energia, potência e ondulatória”, aposta Emerson Junior, professor de Física no Cursinho da Poli.

Há também possibilidade de questões de Física abordarem temas do cotidiano, como as mudanças climáticas. “Energia e calorimetria podem ser citadas em análises sobre o clima e impactos ambientais. Creio em uma ou duas questões do assunto”, diz Gilberto Alvarez, diretor do Cursinho da Poli. Já a pandemia deve ocupar uma parte da prova, em Biologia e Química - no texto abaixo na página, leia sobre questões em que a crise da covid-19 pode ser abordada com a interdisciplinaridade de disciplinas.

Matemática

É uma prova conhecida por ser extensa, com 45 questões. Por isso, vale ter uma clara estratégia para não se perder ou entrar em pânico. “Digo aos alunos para localizar as questões fáceis, e há muitas. Assim, ganha confiança”, sugere Rodney Luzio, professor de Matemática do Anglo Vestibulares. Vale também utilizar técnicas para otimizar o tempo. “Se o aluno é acostumado a fazer contas com calculadoras, ele vai sofrer. Precisa treinar fazer contas com traquejos aritméticos e algébricos para simplificar expressões e ir mais rápido.”

Quanto a temáticas, é praticamente certo que tópicos como unidades de medida, grandezas proporcionais e arranjos estejam na prova. Outra probabilidade: exercícios de tratamento de informação, com estatística, cálculo de médias e mediana. Em geometria, é bom dar atenção aos conceitos de perímetro, Teorema de Pitágoras, funções logarítmicas e quadráticas. 

Para Alvarez, do Cursinho da Poli, o candidato pode se preparar para, em meio aos números, cálculos e fórmulas, ter de lidar com acontecimentos recentes e sua relação com a Matemática. “Houve o terremoto na Bahia, o que pode ser o assunto de questões sobre a Escala Richter, que nada mais é que uma escala logarítmica.”

Ciências Humanas

Daniel Perry, diretor-geral do Anglo Vestibulares, ressalta uma característica entre os assuntos dessa prova: “Em História, cai muito mais a do Brasil”. E destaca o período republicano como foco de estudo.

Em História Geral, o Enem explora fatos contemporâneos. “Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria e acontecimentos do século 20 caem bastante”, afirma Arthur Hussne Bernardo, professor de Filosofia e Sociologia do Poliedro. O período do Segundo Reinado até o golpe de 1964 costuma figurar com frequência em História do Brasil. “A República Velha e a República Populista, com os governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, frequentemente rendem questões.”

Em Filosofia, a tendência também é uma abordagem contemporânea, com racionalismo e empirismo, além de epistemologia e filosofia política moderna. “Autores como Locke, Hobbes e Rousseau são recorrentes. E, no ano passado, fiquei surpreso com a quantidade de questões envolvendo autores como Foucault, Derrida e Hannah Arendt, que devem aparecer cada vez mais.” Mas a tríade Platão, Aristóteles e Sócrates sempre marca presença, e Santo Agostinho e São Tomás de Aquino têm aparecido com mais frequência.

Há autores e temas em Sociologia que podem ser considerados clássicos no Enem e também devem figurar na próxima edição. “Weber e Durkheim são cobrados em muitas questões. A prova também costuma abordar temas como cidadania, política e inserção do indivíduo como agente político”, finaliza Bernardo.

Linguagens e Códigos

Nesta prova, a pedra no sapato é a interpretação de texto. “Realmente é algo difícil, com muitas questões e que abordam diversos formatos como charge, tirinhas, esculturas e pinturas”, explica a professora Maria Aparecida Custódio, responsável pelo laboratório de redação do Curso e Colégio Objetivo. Por isso, a sugestão é aprimorar as técnicas de compreensão e análise de texto. E, para isso não há fórmula mágica, somente esforço. “Treine interpretação de texto, faça provas anteriores e confira os gabaritos. Exercite-se ao máximo.”

Também vale sempre estar atento ao redor, local, nacional e globalmente. “A prova envolve a relação dos alunos com o mundo e exige que o candidato esteja antenado com o que acontece. Ao ler jornais, por exemplo, além de se atualizar o estudante se familiariza com esse gênero textual”, comenta Sonia Santos, professora do Curso Preparatório Desafio Enem, do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal).

Já a cobrança por conhecimentos literários deve envolver gêneros criados após o século 19 e uma possível comparação com produções atuais. “Sempre falo para os alunos ficarem de olho no Romantismo, que é o começo da literatura verdadeiramente brasileira. Podem pegar um poema do Álvares de Azevedo, de sofrimento, e relacionar com uma série ou um filme de interesse da faixa etária dos candidatos. É um tipo de diálogo provável, que não deixa os movimentos literários só como um conceito.”

E vale a pena ficar atento a questões sobre oralidade, território no qual o candidato precisa estar aberto a rever conceitos. “A língua tem uma riqueza de variantes em contextos diversos. O Enem busca quebrar preconceitos linguísticos, não há linguagens superiores.”

COVID-19: BIOLOGIA JUNTO COM QUÍMICA E GEOGRAFIA

Com o cenário atual do planeta, há a expectativa de questões que lidem ao mesmo tempo com ciências da natureza e humanas. “Apostamos que haverá uma relação estreita entre Biologia e Geografia. Não só por conta da pandemia, mas pelo contexto do mundo, que envolve redes de informação e de mobilidade de pessoas, objetos e animais”, diz Gilberto Alvarez, diretor do Cursinho da Poli.

“Espera-se que haja uma intersecção do viés biológico com o social e geográfico na abordagem dos efeitos da desigualdade social e racial da pandemia.” A covid-19 também deve render questões de Biologia com Química. “Podem cair características dos vírus, como sua reprodução, bem como o sistema imunológico e produção de vacinas. Há também fatores como mudanças de hospedeiro, adaptações e evolução”, afirma.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.