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O dilema dos pais

A escolha da escola é uma preocupação que começa quase sempre poucos meses depois que o bebê nasce, e não finda

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2018 | 02h00

Um dos grandes dilemas das famílias, depois que têm filhos, é saber onde eles vão estudar. A escolha da escola é uma preocupação que começa quase sempre poucos meses depois que o bebê nasce, e não finda. Mesmo depois de feita a opção, os questionamentos parecem eternos e sem resposta. 

A escola é ótima, mas não gosto dos amigos do meu filho... a professora diz besteiras... não consigo entender se ele está mesmo aprendendo ou se está só brincando... será que é melhor um lugar maior ou menor? 

Setembro e outubro é quando as escolas abrem novas matrículas. Para quem procura uma instituição para bebê, a angústia costuma ser até maior, já que carrega a irremediável culpa da mãe (ou do pai) de “largar” o pequeno. E as perguntas numa visita à escola candidata acabam girando em torno da estrutura e do cuidado, importantíssimos na educação infantil. Querem saber se há segurança, como o filho será acolhido se chorar, se há higiene na troca de fraldas. 

Mas por mais que se tenha medo de não entender nada do projeto pedagógico – e ache que vai ser enrolado com nomes como construtivismo, sociointeracionismo, Piaget e Montessori – o mais importante é questionar sobre isso. Perguntas eficientes podem ser sobre quais atividades são feitas ao longo do dia com o bebê, se há contação de histórias, música, brinquedos pedagógicos, interação com outras crianças. Não dá para esquecer de quem cuidará do novo aluno: a pessoa precisa ser formada em ensino superior, condição que garante que ela saiba estimulá-lo em diferentes aspectos (físico, motor, linguístico, afetivo e cognitivo). E, ainda, cada professor deve cuidar de poucas crianças (menos de 8) nessa etapa.

No ensino fundamental (1.º ao 9.º ano) e médio, o trabalho escolar parece ainda mais complicado de se acompanhar. A maior dificuldade dos pais é conseguir descobrir se o projeto pedagógico que aparece no discurso é mesmo implementado com eficiência. Uma solução é conversar com quem já tem filhos na instituição. E saber exatamente como é o dia a dia do aluno, como se lida com conflitos, que importância se dá ao conteúdo, à disciplina, à convivência entre os alunos, ao desempenho e à participação dos pais. 

E só assim é possível comparar a maneira como a escola vê a educação com a maneira como os pais veem a educação. As duas coisas devem coincidir na maioria dos assuntos. Apesar de muitos acharem que a escola “vai dar jeito no filho”, não é recomendado, por exemplo, escolher um ensino super rígido quando o aluno tem total liberdade em casa. Vai ser difícil para a criança entender qual a melhor maneira de agir e, provavelmente, ela vai acabar não gostando de onde estuda. 

Apesar de todos termos nossas lembranças do tempo em que estudamos, boas ou más, elas não devem ser o principal critério para escolher a instituição do filho. É preciso seguir o que o adulto de hoje espera da educação e não o que a criança de ontem experimentou.

Além de todas as questões educacionais, há o valor da mensalidade, para aqueles que optam pela rede particular. E, muitas vezes, mesmo que se tenha total clareza do que se acredita ser a melhor educação, ela não cabe no bolso. Outra questão prática é a localização. A escola não precisa ser ao lado de casa, mas não é recomendado deixar crianças por longos períodos no trânsito. 

Uma expectativa comum é a de escolher uma escola em que o filho possa ficar até o ensino médio – que talvez seja uma defesa para não precisar enfrentar o processo novamente. Mas a melhor escola não é necessariamente a escola para a vida toda. E, sim, aquela que é a melhor para aquele momento que a família e a criança estão vivendo. Mudar de escola é chato, mas também pode ser um aprendizado, para pais e filhos.

* É REPÓRTER ESPECIAL DO ‘ESTADO’ E FUNDADORA DA ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS DE EDUCAÇÃO (JEDUCA)

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