ALEX SILVA/ESTADÃO
ALEX SILVA/ESTADÃO

O desafio da Fuvest conteudista e um currículo flexível

Habilidades socioemocionais têm destaque na nova Base Curricular, mas seleção da USP exige denso domínio de todas as disciplinas

Alex Gomes, especial para o Estadão

16 de novembro de 2020 | 15h00

No dia 10 de janeiro, cada vaga do curso de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) será disputada por 154 pessoas. Para ficar fácil de visualizar, é como se todos os passageiros de um voo lotado da ponte aérea São Paulo -Rio de Janeiro estivessem concorrendo por apenas uma chance de ser aprovado no vestibular mais concorrido do País: a Fuvest.

Com tanta concorrência e uma prova considerada entre as mais difíceis do Brasil, não à toa o preparo para a Fuvest exige muito dos candidatos. Em um ano de pandemia, o desafio ficou ainda maior. Em casa, estudantes tentam dar conta da enorme lista de conteúdos listados no edital. Do outro lado da tela, professores rebolam para garantir o aprendizado dos tópicos sem transformar o trabalho pedagógico do ensino médio em uma espécie de curso preparatório para o vestibular.

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“Estamos amarrados à condição de aprovar os alunos nos vestibulares, mas procuramos atender também a um ensino com conexões interdisciplinares, em que o aluno seja desafiado ao desenvolvimento de soft skills (habilidades socioemocionais), com criatividade e resiliência e mais responsabilidade social”, explica Dionei Andreatta, coordenador do ensino médio do Colégio Marista Arquidiocesano.

Com a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabelece um novo modelo de ensino médio com destaque para competências e habilidades, a situação das escolas fica ainda mais paradoxal frente ao preparo para uma prova conhecida por ser conteudista.

Apesar de reconhecer a efetividade do modelo de prova da Fuvest em selecionar os melhores candidatos frente a milhares de inscritos - uma fórmula de sucesso há décadas -, Andreatta vislumbra uma necessidade futura de mudanças, principalmente com o cenário após a implementação da BNCC.

“Em três anos, teremos uma grande quantidade de alunos do ensino médio formados segundo as diretrizes da nova BNCC, com itinerários formativos e restrição de horas com os conteúdos atualmente tradicionais. Vamos ver o que vai ocorrer com os vestibulares mais tradicionais”, diz Andreatta. Para ele, o caminho pode ser com provas mais focadas em algumas áreas, mas que preservem a importância da amplitude de conhecimentos. “É importante manter a abordagem de conteúdos clássicos para todos, sob o risco de um profissional com deficiências em sua formação.”

Pronto. Consciente da dificuldade do vestibular da Fuvest, Pedro Henrique Costa definiu no ano passado, quando ainda cursava o segundo ano do ensino médio na Escola Móbile, um plano de estudos para 2020. Foi combinado que o aluno teria todo o apoio para estudar, sem muita pressão.

O trato, feito antes do início da pandemia, foi fundamental para o jovem conseguir manter o foco nesses meses de estudo remoto. “Como são muitas matérias e conteúdos, há momentos em que me perco. Meus pais me ajudam a me organizar, dar preferência ao que eu tenho mais dificuldade ou adiantar algo para ter mais tempo livre”, conta ele.

O objetivo dele é conseguir uma vaga no curso de Economia da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA-USP). A escolha do curso vem do desejo de fazer a diferença na realidade de regiões mais carentes da cidade, como o local em que vive, no bairro do Campo limpo, na zona sul da capital.

Como economista, Pedro poderá ajudar a fomentar ações de empreendedorismo, educação financeira e economia doméstica. “A partir da minha realidade, entendo a de muitos, o que me leva a ter também interesse no sistema financeiro e como contribuir para reduzir as desigualdades”, diz.

Nestes últimos dois meses antes das provas, Pedro está focado no plano de estudos desenhado pela Móbile. Na escola, há tanto um trabalho voltado para a primeira fase da Fuvest, nas aulas regulares matinais, como para a segunda fase do exame da USP, por meio de aulas eletivas no período da tarde.

“Além das revisões dadas por todos os professores e dos simulados, os alunos contam com cursos avançados específicos em que podem resolver questões complexas da Fuvest”, afirma Wilton Ormundo, diretor do ensino médio da escola. “Eles também têm aulas especiais sobre as obras literárias exigidas e terão ainda um conjunto de aulas de revisão em janeiro”, acrescenta. 

SERVIÇO

Anote sobre a prova:

  • 1ª fase: 10 DE JANEIRO 
  • 2ª fase: 21 E 22 DE FEVEREIRO 

Resultado:

  • 19 DE MARÇO

CONTEÚDOS QUE DEVEM SER COBRADOS NA PROVA DA FUVEST

Língua portuguesa/Gramática: Classe de palavras, semântica

Língua portuguesa/Literatura: Obras da lista da Fuvest

Língua portuguesa/Texto: Apreensão de sentido, compreensão de sentido

Matemática: Funções, probabilidade, polígonos, triângulos

História do Brasil: Períodos colonial e republicano

História Geral: Histórias da América e contemporânea

Geografia do Brasil: Geografia econômica, humana e física

Geografia Geral: Geografia econômica, geopolítica, questões ambientais 

Física: Mecânica, eletricidade, termologia

Química: Equilíbrio químico, cálculo estequiométrico, reações orgânicas

Biologia: Ecologia, fisiologia animal e humana e genética

Inglês: Compreensão de texto

Redação: O ser humano e sua relação consigo mesmo - temas abstratos

FONTE: ANGLO VESTIBULARES

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