O criador e a matéria-prima

Para fazer as cadeiras, ele nunca usou poliésteres e plásticos

Carolina Stanisci, Especial para o Estadão.edu

14 Dezembro 2009 | 23h36

Na seção Autógrafo do Estadão.edu, Sergio Rodrigues, designer conhecido por trabalhar com madeiras brasileiras, responde a uma pergunta de Júlia Gonçalvez, aluna do 4º ano de Design da Facamp:  Como você concilia sua preferência por madeira com os princípios da sustentabilidade?Júlia Gonçalves, aluna do 4.º ano de Design da Facamp Sergio Rodrigues, Designer - "Gosto de usar a matéria-prima brasileira. Desde que comecei a trabalhar surgiram muitos materiais novos, como poliésteres e plásticos. Não tenho usado. Até já trabalhei com o aço inoxidável e a fibra de vidro, mas sempre acabo dando preferência aos materiais naturais, com prioridade absoluta para a madeira que emprego na produção do meu mobiliário, respeitando as regras para sua utilização correta. Por isso, só trabalho com madeira certificada, que vem do Pará com autorização do Ibama, como a tauari e o eucalipto.  Quando encontro imbuia, peroba ou cedro liberados para uso é uma festa. Infelizmente, é muito difícil que isso aconteça. Há alguns anos não tenho mais fábrica e quem cuida da confecção de meus móveis é a Linbrasil, que também os distribui pelo Brasil e pelo exterior. Como você vê, é perfeitamente possível trabalhar em design com madeira de modo sustentável.  Minha paixão pela madeira vem da infância. Morava numa chácara no Flamengo, na década de 30, onde existia uma pequena oficina de marcenaria, hobby de um tio-avô.  Ficava fascinado vendo os operários transformarem pedaços de madeiras em mesas, relógios e estantes. Também me deliciava com o perfume. Lá não havia, como hoje, maquinário elétrico. Era tudo manual e as ferramentas ficavam sobre a bancada.  Quando os trabalhadores iam embora, eu aproveitava para construir meus próprios brinquedos – carrinhos, aviões e barcos. Como não sigo nem nunca segui modismos e tendências, continuei fiel à minha paixão da infância." 

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