Aguinaldo Santana
Aguinaldo Santana

'O consumidor mudou. E, com ele, empresas e escolas'

Coordenador de programa de gestão estratégica observa que ser sustentável vem se tornando uma demanda social

Entrevista com

Isak Kruglianskas, coordenador da FIA

Guilherme Guerra, ESPECIAL PARA O ESTADO

11 de dezembro de 2018 | 03h00

De acordo com o coordenador dos programas de gestão estratégica para a sustentabilidade da Fundação Instituto de Administração (FIA), Isak Kruglianskas, existe espaço para aprimorar a relação entre sociedade civil, governo e empresas para pensar em soluções verdes para problemas da comunidade. “Governo, empresas e organizações da sociedade civil estão somente começando a atuar de forma mais estratégica quanto às questões da sustentabilidade”, afirma o professor. Também existe espaço para quem quer buscar estudos na área.

“Apenas agora começamos a ver um aumento na oferta e demanda de programas voltados para este campo (da sustentabilidade)”, diz. “E as escolas estão se preparando para atender melhor à formação de profissionais”.

Por que é importante que a sociedade fale de temas ambientais?

Segundo o Banco Mundial, se a população global de fato chegar a 9,6 bilhões em 2050, serão necessários quase três planetas Terra para proporcionar os recursos naturais necessários para manter o atual estilo de vida da humanidade. É fundamental que todos conheçam e falem sobre temas ambientais para tentarmos reverter essa tendência catastrófica que já não só ameaça as futuras gerações, mas já se faz sentir de forma crescente (incêndios florestais, inundações, ondas de calor e frio, poluição atmosférica, furacões etc).

Como os meios privado, governamental e de terceiro setor absorvem profissionais de sustentabilidade? Há espaço para novatos crescerem?

O setor empresarial vem se dando conta de forma crescente que o consumidor está cada vez mais consciente da ameaça ambiental e, em decorrência desse fato, vem mudando seus hábitos de consumo, no sentido de privilegiar produtos considerados mais responsáveis sob a perspectiva da sustentabilidade. O segmento governamental, por força dos acordos multilaterais e da pressão dos cidadãos, vem ampliando a legislação que regulamenta a forma de atuar das empresas, visando a restringir as suas externalidades negativas. Precisamos compreender que estamos apenas no início de um grande processo. Governo, empresas e organizações da sociedade civil estão somente começando a atuar de forma mais estratégica quanto às questões da sustentabilidade. 

E quanto à educação?

Mesmo no que diz respeito à formação de profissionais, também podemos constatar que apenas agora começamos a ver um aumento na demanda e na oferta de programas voltados para este campo. Trata-se de uma demanda que tende a crescer rapidamente.

Há parceria entre universidades, legislações verdes e políticas ecológicas de empresas?

Esse é um dos aspectos em que, na minha opinião, existe um grande espaço para aprimoramento. Ocorrem parcerias pontuais e esporádicas entre o setor acadêmico e empresas para a realização de eventos ou desenvolvimento de projetos específicos, porém sem um caráter sistemático e de continuidade. Também começam a surgir oportunidades para parcerias entre associações empresariais e instituições acadêmicas para esse tipo de parceria, mas ainda de forma muito incipiente. No que tange às legislações e formulação de políticas verdes, existem tentativas especialmente do setor acadêmico para sugerir recomendações para o governo, também de forma pontual e em pequena escala. Da parte governamental, dependendo das possibilidades orçamentárias e vontade política, surgem editais para o desenvolvimento de projetos de pesquisa ou consultoria para o setor governamental, mas de forma, ao meu ver, ainda muito tímida, limitada e desconectada de qualquer estratégia aparente.

Para quem está na área ou deseja entrar, em quais situações é melhor investir em um mestrado profissional (stricto sensu) ou especialização (lato sensu)?

As duas opções são válidas, dependendo das aspirações pessoais. Em geral, a especialização lato sensu tem sido a opção mais procurada, pelo fato de que esses cursos são mais rápidos e mais focados em aspectos práticos. Contribuem de forma mais direta para a capacitação dos participantes para o exercício profissional junto ao setor produtivo, governamental ou das OSC. Os cursos acadêmicos stricto sensu buscam priorizar a capacitação para a geração crítica de conhecimentos, enquanto os lato sensu dão prioridade à capacitação do participante para a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos. Os cursos stricto sensu profissionalizantes constituem uma alternativa que vem sendo amadurecida no nosso País, com o intuito de combinar os dois enfoques. O mestrado e o doutorado são excelentes meios para formar profissionais que possam fazer a diferença, especialmente por meio da geração e da adaptação de novos conhecimentos. 

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