O Acordo Ortográfico e as dúvidas dos próprios especialistas

Professores, editores e revisores já quebram a cabeça com o que muda e o que fica depois da reforma

Bruno Versolato, Especial para O Estado

30 de janeiro de 2009 | 10h09

Nilson Teixeira, professor de português e autor de livro didático: "A questão do hífen nas locuções não está explicada. Todas elas perderam o hífen, como dona de casa, pé de cabra. Mas pé-de-meia ficou. Qual foi a regra adotada pela ABL? Antes a regra era: pé-de-cabra com hífen era a ferramenta; pé de cabra sem hífen referia-se à pata do bicho. Você poderia até discordar. Mas era uma regra. E agora? Outro problema está nos acentos diferenciais, que vai dar margem a confusão. Imagine a manchete: Decisão do Detran para Paulista. Você põe acento em "pára", como era antes e acabou de criar um problema na cidade. Por outro lado, regra pode ser somente específica para aquela região e até ajudar.   MAIS SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO Correndo atrás da reforma ortográfica Editoras atualizam dicionários visando aumento de demanda Dicionário da ABL: correções antes mesmo do lançamento 'Dona de casa' perde os hifens; 'pé-de-meia' não Software com novo corretor ortográfico já está disponível VOLTA ÀS AULAS: Empresas lucram com personagens infantis em material escolar Seguros para educação protegem colégios da inadimplência Brechó reduz custo de material A educação na era do notebook As particulares, de olho no português    Enquete: Você concorda com o investimento do MEC em notebooks educacionais?  Enquete: Você acha que as novas regras simplificam a ortografia?  Enquete: Quais mudanças ortográficas você considerou mais difíceis de entender?   Otacílio Parlaretti, chefe do setor de revisão da Companhia Editora Nacional e da Editora Ibep: "As regras são confusas e se desmentem. Um dos tópicos do texto da reforma fala para tirar o hífen de algumas locuções e como exemplo cita "à parte". Mas "à parte" nunca teve hífen, ao contrário de "à-toa". A lógica dessa reforma é uma coisa meio estranha. Na dúvida, estamos usando a grafia antiga e esperando a Academia Brasileira de Letras se pronunciar."   Antonio Nicolau Youssef, diretor editorial da Companhia Editora Nacional: "A norma foi leviana em alguns aspectos, ao deixar algumas lacunas que dão margem a interpretações erradas. Sobretudo no uso do hífen. O texto do acordo dá um exemplo que ele mesmo nega no final. Por isso a palavra coerdeiro ficou famosa. A palavra é dada como exemplo de manutenção do hífen e uso do h. Mais adiante tem uma regra que diz nesse caso o h tem de sair e é preciso juntar as palavras."

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