REUTERS/Brendan McDermid
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NYU torna gratuita graduação em Medicina

Custos de cerca de US$ 55 mil anuais passarão a ser cobertos pela instituição, num ato que visa a amenizar o peso das dívidas estudantis sobre a escolha da carreira médica, além de ter efeito sobre a diversidade dos candidatos

O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2018 | 23h30

NOVA YORK- A surpresa chegou de forma inesperada, quando os estudantes do primeiro ano da faculdade de Medicina da Universidade de Nova York (NYU) recebiam, nesta quinta-feira, 16, seus jalecos brancos que marcam a entrada na carreira em uma tradicional cerimônia. Para eles e para os futuros estudantes, o curso será gratuito, o que representará um alívio de US$ 55 mil anuais, anunciaram as autoridades da NYU ante os jovens atônitos e seus pais.

A medida busca aliviar os crescentes custos da educação para os médicos, e atrair os estudantes mais brilhantes, aumentando a diversidade e evitando que os médicos escolham as especialistas melhor pagas, o que comumente é uma saída para abater dívidas de financiamentos universitários. Isso ocorre em detrimento de outras especialidades como a medicina família, a pediatria e a ginecologia

A Associação Americana de Faculdades de Medicina estima que a dívida média dos médicos recém graduados nos Estados Unidos é e US$ 202 mil e que mais de 20% dos médicos que estudaram em universidades privadas como a NYU têm dívidas superiores a US$ 300 mil. 

"Essa decisão reconhece um imperativo moral que deve ser enfrentado em momentos em que as instituições colocam uma crescente carga de dívida sobre os jovens que aspiram a ser tornar médicos", disse Robert Grossman, decano da faculdade.

"Nossa esperança e nossa expectativa é que, ao tornar a faculdade acessível a um campo mais amplo de aplicantes, sejamos um catalisador para a transformação da educação médica a um nível nacional", disse Kenneth Langone, presidente do diretório do hospital universitário NYU LAngone Health e um dos 2,5 mil doadores que mais contribuíram para a iniciativa. 

A medida se aplica a 93 novos estudantes do primeiro ano e a outros 350 que ainda têm três anos até se graduarem. A faculdade de Medicina da NYU indicou que se tornará a única entre as dez melhores do país a oferecer o curso de forma gratuita aos seus estudantes. Mas o plano não cobrirá alojamento e gastos administrativos, que em média somam US$ 27 mil anuais. 

Segundo dados do Federal Reserve, os créditos estudantis chegaram, ao fim de março, a US$ 1,38 bilhão, alta de 138% nos últimos dez anos. Segundo a Associação College Board, o custo médio de uma licenciatura universitária básica, de quatro anos, nos Estados Unidos é de US$ 34,7 mil por ano em uma universidade privada, sem contar gastos com alojamento e alimentação.  A maioria das universidades de prestígio são privadas e os jovens se endividam para poder estudar. /AFP

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