CLAYTON DE SOUZA/ESTADAO
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Número de inscritos na OAB fica estável

Em 2010, eram 24.418 candidatos no exame; em março deste ano, 24.187. A taxa de aprovação oscilou entre 11% e 25% no período

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2015 | 03h00

Apesar do financiamento público cada vez maior, o total de formados em Direito que procuram exercer a advocacia não aumentou na mesma proporção. O número de inscritos no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem ficado estável. Em junho de 2010, eram 24.418. Em março deste ano, 24.187. A taxa de aprovação oscilou entre 11% e 25% no período. 

“Devemos questionar se as novas regras do Fies serão suficientes para induzir a mudança de comportamento. Há prestígio social na profissão, assim como em Medicina e Engenharia”, diz José Garcez Ghirardi, um dos coordenadores do Observatório da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Formado por uma universidade privada em São Paulo, Marcelo Ponci, de 42 anos, hoje desempregado, já prestou o exame cinco vezes. Fez uma pós-graduação em Direito Imobiliário e trabalhou no Conselho Regional de Corretores de Imóveis, mas agora deixou o posto para estudar. Hoje, faz cursinho preparatório para o exame na LFG, na região central. “Sempre faltou conteúdo na graduação. Precisei do cursinho para focar mais, ver mais conteúdo que cai na prova”, diz.

Para o professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Marcus Orione, o aumento de financiamento privado, apesar de trazer mais inclusão, pode causar distorções. “A maior aplicação de aporte em cursos privados, em vez de públicos, traz alguns valores específicos de mercado. Quando você está em uma universidade pública, consegue trabalhar com outros valores que também são demandados do advogado”, afirma.

Para o presidente da OAB-SP, Marcos da Costa, é preciso atentar às exigências feitas aos cursos financiados. “A grande quantidade de faculdades autorizadas nos últimos anos não tem interesse na qualidade.”

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