Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Novos cursos formam profissionais versáteis

Objetivo é preparar aluno para mercado dinâmico; mídias digitais e comportamento do consumidor são áreas consideradas promissoras

Luciana Alvarez, especial para o Estado

31 Outubro 2017 | 06h00

SÃO PAULO - Aos 23 anos, Eduardo Ghoulart está prestes a se formar na terceira turma de Mídias Sociais Digitais. “Cheguei a começar Design Gráfico em outra instituição, mas quando li sobre esse curso percebi que estava diante de algo novo. Ao ver quais eram as matérias da grade, notei que sintetizava várias profissões, o que me atraiu. Decidi mudar e mergulhei de verdade”, conta o universitário.

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No curso de Mídias Sociais Digitais, ofertado pela escola de Belas Artes de São Paulo, ele conta que já aprendeu sobre planejamento financeiro, jornalismo, marketing (conteúdo e mensuração), branding, fotografia e vídeo. E o fato de o curso ser novo não significa que os alunos tenham dificuldade para se colocar no mercado. “Já fiz dois estágios, um em startup, outro como redator para um canal tradicional. Agora estou responsável pela mídia social de uma indústria farmacêutica. Tem sido sempre um desafio. O atual é me comunicar bem com um público de profissionais de saúde.”

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Além de conseguir trabalhar contratado por empresas, Ghoulart também criou uma startup de arte que acabou indo para a incubadora da Belas Artes. “O curso dá um leque amplo de possibilidades. Existe uma urgência do mercado hoje para o profissional qualificado trabalhar bem com as mídias digitais. Mas sei que não dá para parar nunca, temos de nos reinventar, manter o bichinho da curiosidade crescendo.” 

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Uma das idealizadoras e hoje coordenadora do curso da Belas Artes, Carol Garcia conta que a ideia veio de uma empreendedora da área de “estilo de vida” com forte presença nas mídias sociais. “Ela contava que as empresas com as quais trabalhava, muitas vezes de grande porte, não sabiam lidar com as redes sociais. Ela não encontrava um interlocutor”, relata. E o brasileiro usa muito, em todos os segmentos, as redes sociais digitais. 

A escolha por montar uma graduação rápida, de apenas dois anos, visa a atender um mercado muito dinâmico, justifica Carol. “Muitos dos nossos alunos estão fazendo como segunda graduação e querem levar esse conhecimento para seu cotidiano de trabalho”, afirma. Além disso, durante a graduação, muitos começaram a empreender, relata ela. 

A busca por uma formação multidisciplinar levou Mariana Jardim, de 19 anos, a entrar para o curso de Ciências Sociais do Consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Ela fez técnico em Marketing e pretendia seguir na área. “Mas o que eu mais gostava era pesquisar sobre o comportamento do consumidor. E, lendo as disciplinas nas grades, não vi nenhum curso com enfoque nisso. Até que uma colega me contou sobre esse novo curso da ESPM”, conta a adolescente, que está no segundo ano.

“Tem muita psicologia. Ensina a trabalhar com dados também”, comenta. Ela está satisfeita com tudo, já faz um estágio em uma empresa de pesquisa de mercado e diz que a única dificuldade é explicar o que ela está estudando para a família e os amigos. “Quando digo o nome, é sempre um choque e ninguém entende. Tenho de explicar o que estudo.” 

De acordo com o coordenador do curso, Mario Rene, há um vasto mercado de trabalho para os graduandos, mas ninguém oferecia algo parecido porque há preconceito acadêmico em relação ao assunto. “O consumo precede o marketing. Todo mundo consome porque precisa ou deseja alguma coisa”, diz ele, que montou uma grade que inclui conteúdos de antropologia, política, religião, neurociência e economia do comportamento. 

 

Versatilidade

O mercado atual exige profissionais polivalentes, com competências em diversas áreas de conhecimento. Mesmo em cursos que aparentemente são da área de exatas, como Jogos Digitais, os graduandos precisam aprender sobre desenho, roteiro e animação, lembra o professor David Lenes, do departamento de Ciências da Computação da Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP). 

Para quem consegue se encaixar nesse perfil, há muitas oportunidades. “As empresas nacionais de jogos estão começando a se consolidar. O espaço existe, mas para entrar no mercado é preciso ter um portfólio que o destaque”, explica David. 

A graduação na área de jogos não é exatamente novidade na PUC: o curso está completando dez anos. Mas a universidade está sempre se atualizando segundo as novas demandas. “Em 2018 começaremos a oferecer o curso de Design, que é na verdade Design de Interações, para capacitar os alunos a desenvolver projetos nas tecnologias digitais emergentes. “É uma proposta única, com a metodologia toda voltada para projetos”, afirma Lenes.

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