Novo Provão estréia em novembro, com sorteio de alunos

Pela primeira vez em oito anos, os formandos no ensino superior no País não terão de fazer Provão. O exame, que ocorria tradicionalmente em junho e tinha seus resultados divulgados em dezembro, acabou de vez. Mas sai o Provão, entra o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). E alguns dos formandos não ficarão tão livres assim de passar por uma prova.Em novembro, estudantes de 13 cursos (Medicina, Enfermagem, Odontologia, Fisioterapia, Educação Física, Farmácia, Serviço Social, Terapia Ocupacional, Nutrição, Fonoaudiologia, Agronomia, Zootecnia e Veterinária), escolhidos por sorteio, terão de fazer uma avaliação que integrará a nota do seu curso. Quem faltar, não recebe o diploma no fim da graduação.O Sinaes traz uma série de novidades. A primeira é a avaliação também dos estudantes dos primeiros anos. ?Pela primeira vez conseguiremos medir o quanto um aluno aprendeu durante o curso. Saber como ele entrou na faculdade e como saiu?, afirma Eliezer Moreira Pacheco, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) ? órgão do MEC responsável pela avaliação.?E, para evitar que alguma instituição invista apenas em um grupo de estudantes, não utilizaremos os mesmos jovens do primeiro ano no fim do curso?, alerta ele.SorteioOs universitários serão escolhidos por sorteio e, os cursos, avaliados a cada três anos. Para estrear o novo sistema, foram escolhidos os da área de saúde, Veterinária e Agronomia. Alguns, como Zootecnia e Terapia Ocupacional, nunca foram avaliados antes. ?Todos os cursos do País passarão pelo Sinaes em três anos, até os recém-criados?, garante Pacheco.A realização do exame ainda depende da Câmara, que vai analisar pela segunda vez a medida provisória de criação do Enade. Na última quarta-feira, a MP foi aprovada pelo Senado, mas recebeu algumas emendas e, por isso, teve de voltar aos deputados, que já haviam aprovado a medida no início de março.?Roubada?Karen Bluwol, 22 anos, está terminando Veterinária na USP e acha que as mudanças no Provão são bem vindas. ?Todo mundo dizia que a avaliação não era bem formulada, mas acredito que tem de haver algum tipo de controle de qualidade por parte do MEC. Tem muita faculdade nova dando cursos de qualquer jeito?.Mas, quando o assunto é a prova que ela própria pode ter de fazer em novembro, a conversa é um pouquinho diferente: ?Sempre acabo caindo nessa roubadas. Aposto que serei uma das vítimas?, diz ela, que está entre os milhares de estudantes incluídos no sorteio do Inep.Andressa Tognotti, 25 anos, estudante do último ano de Psicologia na USP, está contente por ter escapado do novo Provão, já que seu curso não será avaliado neste ano. ?Acho ótimo não ter de fazer a prova porque é uma perda de tempo. Não dá para avaliar se um aluno e um curso são bons em algumas horas de exame teórico?, afirma. ?Acho que a avaliação é necessária, mas não da forma como vinha sendo feita.? leia também Curso e instituição também serão avaliados Universidades ?nota E? respiram aliviadas Ex-reitor critica indicadores; UNE aplaude Para idealizador do Provão, universidades ruins venceram

Agencia Estado,

19 de março de 2004 | 17h16

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