Novo presidente do Inep quer ?aperfeiçoar? MP do Sinaes

O novo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Eliezer Pacheco, quer mudanças para "aperfeiçoar" a medida provisória que criou novas regras de avaliação do ensino superior, o Sinaes, em substituição ao Exame Nacional de Cursos, o Provão. Proposta pelo ex-ministro Cristovam Buarque, a MP tramita no Congresso. Pacheco, anunciado para o cargo na quarta-feira, diz que o ministro da Educação, Tarso Genro, quer tornar a avaliação mais precisa, uma vez que a MP é considerada excessivamente vaga.Crítico do Provão, Pacheco evitou detalhar quais seriam as alterações. Mas deu a entender que não pretende propor nenhuma mudança muito profunda. Para ele, o debate deve ocorrer no Congresso. "Não vou chegar para fazer transformações radicais", disse, revelando a disposição de, inicialmente, tomar pé da situação no Inep - órgão do Ministério da Educação (MEC) encarregado de avaliações como a dos cursos de graduação e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), além de estatísticas como o Censo Escolar.?Qualificar? avaliaçãoPacheco evitou dizer se o novo sistema de avaliação do ensino superior levará ao fechamento de cursos comprovadamente ruins. O Provão e outras formas de avaliação lançadas no governo Fernando Henrique Cardoso apontaram a existência de faculdades de péssimo nível, mas não foi fechado nenhum curso reprovado. "Toda avaliação é feita sempre no sentido de orientar para a superação das dificuldades", disse Pacheco.Segundo ele, o aperfeiçoamento da MP no Congresso terá como objetivo justamente "qualificar" a avaliação. O ex-ministro Cristovam pretendia detalhar o novo sistema por meio de portaria, mas foi demitido antes disso.Secretário de TarsoAos 60 anos, Pacheco foi chamado a dirigir o Inep no último sábado, mas só na quarta aceitou o convite do ministro. Atual secretário de Administração da Prefeitura de Porto Alegre, ele é filiado ao PT e esteve à frente da Secretaria de Educação quando Tarso foi prefeito da capital gaúcha pela segunda vez, em 2001 e 2002.Professor de História na rede pública de ensino médio gaúcha, Pacheco lecionou a disciplina também na Universidade do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí). Foi vice-presidente e secretário-geral do sindicato dos professores do Estado, o Cepers-Sindicato. Ele também presidiu o Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (IPE) no governo do atual ministro das Cidades, Olívio Dutra (1999-2002).Ciente das dificuldades da educação básica no País, Pacheco não vê contradição no fato de o MEC agora priorizar a reforma universitária juntamente com a alfabetização. "A universidade brasileira, com o potencial que tem, pode contribuir para elevar o nível do ensino básico", disse.

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