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Novas famílias mudam papel do homem e da paternidade

As mulheres aceitaram bem e os filhos tiveram benefícios com a ação atuante do pai

Rosely Sayão, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2021 | 05h00

A mãe de um bebê que estava prestes a completar um ano levou-o a uma consulta com um novo pediatra. A troca foi provocada por uma insatisfação com o tipo de relacionamento com o médico anterior. E assim que entrou no consultório ela ouviu uma pergunta que achou inusitada: “E o pai do bebê, por que não veio?”. E foi assim, após essa pergunta simples do novo médico, que ela passou a pensar na importância da presença do pai do bebê no seu dia a dia com este. 

Lutamos contra toda a herança que recebemos da sociedade tradicional para construir uma nova parentalidade. Aliás, creio que todos já devem ter lido ou ouvido essa palavra, muito frequente no mundo atual. É um conceito que abarca um conjunto de atitudes, responsabilidades, cuidados e valores envolvidos na criação de uma criança. Essa parentalidade pode ser exercida também por avós, tios, padastros, madrastas, etc.

Estamos ainda em transição de uma sociedade em que o homem e a mulher tinham uma divisão de trabalho bem estabelecida. Aos poucos, a mulher entrou no mercado de trabalho e não apenas por vontade pessoal, mas por necessidade familiar. Acompanhando as mudanças que ocorriam no mundo, o papel do homem foi se transformando, o que provocou, em muitos, uma grande crise de identidade. 

Qual o papel do homem na família? Essa foi – e ainda é – a grande questão surgida. Na transição sociocultural que vivemos, o homem perdeu uma grande referência: a de seu próprio pai que havia assumido seu papel segundo os valores da sociedade tradicional. 

E tal papel passou a ter importância desde a gestação. O homem, que antes observava à distância o desenvolvimento da gravidez, passou a ser companheiro da mulher apoiando, oferecendo base afetiva para o seu bem-estar. E, com o crescimento do bebê, os papéis paterno e materno se entrecruzaram e se tornaram complementares: o pai passou a cuidar dos filhos em todas as necessidades deles e a compartilhar as responsabilidades domésticas.

Nessa mudança em transição, o homem se encontra em busca de sua nova identidade, o que não é simples nem fácil já que convivemos todos com mudanças e também com o papel de pai da sociedade tradicional – e com novos arranjos familiares decorrentes de rompimentos de casamentos e recasamentos, além das múltiplas parentalidades que foram surgindo com pares homoafetivos.

O grande ganho do homem nessas mudanças e na construção do papel de pai na contemporaneidade tem sido o relacionamento mais próximo com os filhos e o reconhecimento de suas emoções e afetos experimentados ao acompanhar o desenvolvimento e o crescimento dos filhos, agora também sob sua responsabilidade. Ele tem vivido as dores e as delícias de ser um pai presente, o que antes era um contexto exclusivo das mães.

Durante esse difícil período da pandemia, surgiram muitas questões inusitadas que, no exercício do papel tradicional de pai não existiriam, como as discussões a respeito da manutenção da convivência do pai separado com os filhos sem colocá-los em risco, por exemplo. Isso é uma pequena mostra de que os homens que ocuparam esse novo lugar de pai não querem, de modo algum, abdicar dessa conquista. 

Os ganhos nascidos dessas mudanças não foram apenas dos homens: mulheres que aceitaram bem as mudanças também ganharam e, principalmente, os filhos tiveram grande acréscimo de benefícios com a presença atuante do pai. De acordo com a história familiar e pessoal do pai, ganharam um pai amigo, um pai presente e pleno de afetos! Mas, sobretudo, um pai.

Vida longa aos novos pais, saúde e coragem. Tim-Tim!

É PSICÓLOGA, CONSULTORA EDUCACIONAL E AUTORA DO LIVRO EDUCAÇÃO SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ

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