Eli Lope Meira/Ipb
Eli Lope Meira/Ipb

Novo ministro da Educação demite assessores de Weintraub ligados a ala ideológica

Com a decisão, Milton Ribeiro atende também a orientação do presidente Jair Bolsonaro que pediu um MEC mais aberto ao diálogo e com perfil conciliador

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2020 | 21h00
Atualizado 27 de julho de 2020 | 22h02

BRASÍLIA -  O ministro da Educação, Milton Ribeiro, exonerou nesta segunda-feira, 27, quatro dos cinco assessores especiais do ex-titular da pasta, Abraham Weintraub. Assim como o ex-ministro, os auxiliares dispensados também são identificados com a ala mais radical do bolsonarismo. Ao promover a demissão coletiva, Ribeiro atende também a orientação do presidente Jair Bolsonaro que pediu um MEC mais aberto ao diálogo e com perfil conciliador.  

Foram exonerados Auro Hadana Tanaka, Eduardo André de Brito Celino, Sérgio Santana e Victor Sarfatis Metta. Apenas um auxiliar do ex-ministro foi mantido: o coronel Paulo Roberto. Os cinco cargos da assessoria especial são ligados diretamente ao gabinete do ministro e costumam ser ocupados por pessoas de confiança do titular da pasta. Os novos assessores ainda não foram nomeados.

Pessoas ligadas ao grupo de servidores demitidos alegam que a mudança era esperada, já que os cargos são de confiança.

A exoneração, publicada nesta segunda no Diário Oficial da União (DOU), foi assinada pelo novo secretário-executivo do MEC, Victor Godoy Veiga.  Ele substituiu Antonio Vogel, que conduziu a pasta por quase um mês entre a demissão de Weintraub e a chegada de Milton Ribeiro, que tomou posse no dia 16 de julho. No período, se aproximou do presidente e no dia 21 de julho foi nomeado assessor especial da Casa Civil, chefiada pelo ministro Walter Braga Netto. 

Ribeiro testou positivo para covid-19 quatro dias após assumir o MEC e está em São Paulo. No sábado,  25, o ministro escreveu no Twitter que os médicos constataram um início de pneumonia.  “Fui à clínica e tomei via venosa antibiótico. Hoje acordei  bem  melhor, 10% de tosse mas ainda sem apetite”, comunicou no final de semana.  Questionado nesta segunda sobre o estado de Saúde do ministro, o MEC disse que as informações são a que estão na rede social de Ribeiro. 

Segundo integrantes da pasta, o ministro não teve tempo ainda de conversar com os secretários.  A expectativa de integrantes do governo é que o secretário nacional de Alfabetização, Carlos Nadalim, e a secretária de Educação Básica, Ilona Becskeházy, fiquem no cargo. Os dois também são identificados com a ala ideológica.  Entretanto, técnicos do MEC aguardam que Ribeiro, tão logo volte a Brasília, faça novas mudanças.

Procurada no fim da noite, a assessoria da pasta não se manifestou. A reportagem também tentou falar com o ministro, que nao atendeu às ligações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.