Novo Enem provocou corrida em cursinhos e colégios

Eles criaram cursos específicos para preparar alunos: "Mudanças no exame foram positivas, deram uma chacoalhada nas escolas", elogia diretora do Augusto Laranja

Paulo Saldaña, especial para O Estado de S. Paulo e Bruna Tiussu,

28 Setembro 2009 | 23h46

Escolas e cursinhos tiveram que se desdobrar este ano para acompanhar as mudanças do Enem e preparar seus alunos de forma adequada para a prova. Com um novo formato de avaliação e correção, o Enem ainda ganhou status de vestibular para 24 universidade federais, que passaram a adotá-lo como prova única.Para que seu aluno chegue preparado para a prova deste fim de semana, o Colégio Augusto Laranja, de São Paulo, realizou um curso específico para o Enem, com dois meses de duração. Seguindo a proposta do exame, o curso não era dividido em disciplinas, mas em áreas: linguagens, raciocínio lógico, mapas e gráficos, transversalidades e produção de texto. "Convidamos professores de cursinho para dar as aulas. Além de ampla experiência, professores novos chamaram a atenção dos alunos para o curso", diz Arlete Laranja, diretora do colégio.A cada semana, os professores tinham que preparar as aulas seguindo um tema pré-estipulado, como população, energia, economia, sustentabilidade, etc. "As mudanças do Enem foram muito positivas, deram uma chacoalhada nas escolas", completa Arlete.O COC também criou um curso específico para os alunos do ensino médio e do pré-vestibular. Ele tem 120 horas, com as habilidades exigidas na prova e uma abordagem contextualizada do conteúdo, e acaba apenas na sexta-feira, véspera do exame. "No Enem, o aluno precisa ter uma leitura que normalmente a gente não estimula muito", diz o diretor corporativo do COC, Tadeu Terra, professor de física. Nos cursos pré-vestibulares da Poli e Etapa, os alunos tiveram módulos de uma semana para trabalhar as caractéristicas específicas da prova. Além do curso focado no Enem, Mirian Miyoshi, de 20 anos, estudante do cursinho da Poli, faz todos os dias exercícios das provas anteriores. "O Enem antes era fácil, mas agora acho que vai ser mais competitivo", diz Mirian, que está prestando para Farmácia na Unifesp (prova única), nas federais de Ouro Preto e Alfenas e na Fuvest. O aluno do Etapa Jean Michel Peguim, de 17 anos, também não faltou ao curso específico. "Assustei um pouco quando soube das mudanças, percebi que seria cobrado mais conteúdo e a prova seria mais maçante", diz. O Anglo Vestibulares criou um curso específico de interpretação de texto, oferecido no segundo semestre em horários alternativos à grade. "Não vão cobrar o conhecimento pelo conhecimento, mas relacionado com o dia a dia", afirma o coordenador do Anglo, Luis Ricardo Arruda de Andrade. Como os principais vestibulares de São Paulo (Fuvest, Unicamp e Unesp) não adotaram o Enem como prova única, a maioria dos colégios e cursinhos apostaram nos simulados para preparar seus alunos. "O objetivo é basicamente treiná-los", afirma o professor Antonio Ferraz, do Colégio Bandeirantes. Os alunos do colégio Objetivo fizeram duas provas por bimestre no estilo do Enem, que valiam nota. "É como um esportista: tem que treinar as questões, treinar ficar cinco horas sentado e treinar o tempo das questões", diz a coordenadora do Objetivo, Vera Lucia da Costa Antunes. Eles também fizeram o simulado oferecido para os alunos do cursinho. No Colégio Global, os alunos passaram a ter avaliações semanais. "O aluno tem que ter contato com o momento de prova mais vezes durante o ano", diz o professor César Betilio, do Global. Os cursinhos COC e Anglo ainda usaram a tecnologia para ajudar os estudantes. Colocaram os vídeos das aulas sobre o Enem em seus portais na internet. A rede Positivo criou uma série de 128 aulas audiovisuais, também disponíveis na internet. Os vídeos contemplam a resolução de exercícios com conteúdos das quatro áreas do Enem: Linguagens e Suas Códigos; Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza e suas respectivas tecnologias. Além da mudança no estilo da prova, os alunos tiveram outra surpresa. Por causa da gripe suína, o retorno às aulas depois do recesso do meio de ano foi adiado. O vestibulando Yago Blanc de Oliveira, de 17 anos, do COC de Belo Horizonte sentiu a falta das aulas. "A interrupção foi muito em cima, não deu para se organizar" , diz Yago, que está prestando para Arquitetura. Candidata a Medicina, a aluna do Anglo Fabiana Araujo Lima, de 26 anos, sentiu o cansaço no retorno às aulas. "O cursinho teve uma aula a mais todos os dias para repor, fiquei supercansada", diz. O mesmo ocorreu com Julio Yotaka Kuba Sawada, de 17 anos, aluno do Colégio Global e candidato a Engenharia Mecânica. "A interrupção foi grande e tivemos que repor aulas em três sábados." Mas teve quem comemorasse. O estudante do curso Positivo de Curitiba Rodrigo Tuzanowsky Savaris, de 17 anos, classificou o recesso de "férias suínas". "Consegui descansar um pouco e colocar a apostila em dia", disse Rodrigo, que ainda assiste às aulas virtuais criadas pelo cursinho.  

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