HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Novidades para alunos de MBA a distância

Conteúdo lúdico, conceito de sala investida e monitor para motivar a turma estão entre as apostas

Guilherme Guerra, ESPECIAL PARA O ESTADO

13 Novembro 2018 | 07h00

Há alguns anos, o mercado de trabalho não levava a sério um MBA online, já que ensino a distância (EAD) em pós-graduação era sinônimo de educação de má qualidade e o curso deve incluir a oportunidade de fazer networking. Hoje, o cenário começa a mudar graças a novidades que as instituições implementam na modalidade.

O conceito de sala invertida é uma das possibilidades adotadas para o EAD no MBA. Nele, a parte teórica é abordada no ambiente virtual e, em aula, os estudantes chegam com as dúvidas e fazem a parte prática. A metodologia faz parte do que especialistas chamam de “blended learning”, uma estratégia de aprendizado que mistura o mundo online e offline, o conteúdo da tela do seu celular com o mundo real.

Para o pró-reitor de Educação Continuada da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Tatsuo Iwata, o formato de blended learning, faz os professores deixarem de pensar a sala de aula como um espaço físico, mas não é tão novidade assim, pois nós já vivemos nesse espaço híbrido ao usar o celular para complementar os estudos. A diferença é que isso vai ser incentivado e estruturado pela própria instituição. “O ambiente híbrido vai ser da educação, e a gente vai deixar de falar de ensino online ou presencial”, diz Iwata.

O diretor acadêmico da plataforma online da Fiap, Leandro Rubim, afirma que a valorização do EAD e a inversão do preconceito contra a modalidade ocorreram por causa da popularização da internet e do celular. Entre os motivos estão o longo tempo que as pessoas passam no smartphone e o aumento do home office. Mudar a perspectiva sobre os estudos é um movimento natural, diz. “Isso muda a forma com que as pessoas veem (o EAD)”.

“As empresas tinham preconceito contra uma pessoa formada no (MBA) online porque o EAD era mais básico. Era uma leitura de um PDF. E tudo isso foi mudando justamente pelo (mundo) digital”, conta Rubim. “O conteúdo está mais lúdico, completo.”

Perfil

Os alunos que fazem a modalidade online tendem a ser mais esforçados, proativos, organizados e ambiciosos, de acordo com coordenadores de cursos a distância. E, sim, os recrutadores estão de olho nisso. “Quem vai fazer um curso online já sabe que tem de ter disciplina”, afirma Rubim. O coordenador se refere à rotina de estudos que o EAD impõe. Não precisa ter dia e horário fixos, como em um curso presencial, mas precisa virar hábito. Por isso o estudante do online precisa ter o que Rubim chama de “uma força de vontade maior”.

Para evitar desestímulos e não deixar que os alunos se percam em meio à rotina, Iwata conta que a ESPM oferece um monitor dedicado para incentivar cada turma, independentemente da disciplina. Além de supervisionar os estudantes e lembrá-los de tarefas e outras obrigações, o monitor tem a função de manter a turma aquecida para as aulas. “É uma espécie de elo da turma com a coordenação”, explica.

Seja no blended learning, seja no 100% digital, o maior revés do MBA EAD é o principal fator que leva muitos executivos a um MBA: o networking. Existem soluções virtuais, como programas para comunicação (WhatsApp e Skype) e a plataforma de colaboração em equipe Slack. Rubim é otimista: esses aplicativos permitem que um estudante de São Paulo converse com outro de Natal, algo que antes ocorria somente regionalmente. “É uma oportunidade de conhecer culturas e experiências”, diz. “O público do online enxerga a diversidade como atrativa.”

Certificação

Para os que resistem à ideia de um curso de digital por medo do que o mercado de trabalho pode achar de uma especialização a distância, vale ressaltar que o certificado não traz distinção entre uma forma de curso ou outra. É determinado legalmente que apareçam só os nomes do estudante e da instituição de ensino. “O mercado se importa cada vez menos. A cultura da educação ainda tem um resquício de preconceito, mas isso diminui por causa das instituições sérias que vão para o EAD”, diz Iwata.

Para montar um curso desse tipo, além de professores e pedagogos, as faculdades precisam de roteiristas, diretores de vídeo, programadores, técnicos de estúdio e diversos outros profissionais envolvidos para oferecer qualidade de acesso, filmagem e som. No Fiap ON, Rubim conta que apenas em 2018 foram gravados mais de 17 mil vídeos e criadas 30 mil páginas de conteúdo com 300 funcionários dedicados a manter a plataforma.

Outra novidade é trazer para aulas uma celebridade da área do curso. Sem compromisso semanal ou mensal como na docência, um nome reconhecido no mercado grava uma série de vídeos e consegue passar seu conhecimento adiante, mesmo sem estar ao vivo com os alunos. “Você atinge todo um público que jamais estaria ali presencialmente. Você leva experiências a profissionais e isso já foi percebido pelas pessoas e pelas empresas”, afirma Rubim. “Isso não faz mais diferença (se EAD ou não). O que importa é o conhecimento.”

Depoimento - ‘Com disciplina, é possível fazer uma pós de excelente qualidade'

Maria Inez Murad, publicitária que faz pós em formato híbrido na ESPM

“Essa é a minha primeira pós-graduação em EAD (em Neurociência do Consumidor pela Escola Superior de Propaganda e Marketing - ESPM). Eu tinha conhecimento de que a chancela de uma marca conceituada corresponde a um curso a distância de qualidade, mas confesso que imaginava ser uma dinâmica monótona, chata e sem motivação, mas eu me surpreendi positivamente com o curso.

Eu tinha preconceito em relação ao ensino a distância, mas essa pós-graduação em blended learning da ESPM oferece muita interação com os professores e os alunos. Faço questão de participar das aulas ao vivo e me programo para isso porque esse é o momento que requer dedicação integral do estudante. Para mim também é muito importante interagir em um local tranquilo, sem barulho, onde eu possa estar totalmente focada na aula.

O conteúdo oferecido é diversificado e os professores são muito preparados. A neurociência fazia parte de minhas leituras mesmo antes de eu iniciar o curso, mas os professores estão muito mais atualizados do que um livro, que muitas vezes foi escrito há três anos e só é publicado algum tempo depois. O encontro presencial também é muito rico, pois é nesse momento que você conhece pessoalmente seus professores e todos os colegas com que interage nas aulas online. Certamente, muda a nossa relação.

Essa pós-graduação em blended learning é a quarta que eu faço e o que me motivou foi o meu interesse pela neurociência. Estou no segundo módulo e tive uma grata surpresa. Com disciplina e seguindo todo o roteiro solicitado ao longo do curso, é possível fazer uma pós de excelente qualidade.”

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