Novidade na sala de aula: prevenção da aids

O Ministério da Saúde vai propor a inclusão de aulas de prevenção de aids no currículo escolar, afirma o coordenador do Programa Nacional de DST-Aids do ministério, Paulo Teixeira. Atualmente, o assunto é abordado em várias disciplinas, mas não de forma sistemática. O coordenador afirmou que a sugestão já foi aprovada pelo ministro Humberto Costa e será levada ao Ministério da Educação. "Não mudamos o comportamento apenas com uma campanha. Ela é importantíssima, mas é preciso um conjunto integrado de ações", afirmou, depois do lançamento oficial da campanha de carnaval de prevenção de aids. O reforço na informação tem como objetivo combater o aumento de casos novos de aids entre mulheres jovens. Nos últimos anos, a relação entre homens e mulheres portadores do vírus mudou de forma significativa no Brasil. Na faixa etária entre 13 e 19 anos, o número de casos no grupo feminino ultrapassa o do grupo masculino. Essa tendência se constata de forma mais acentuada entre as meninas de menor poder aquisitivo. Basta olhar para as estatísticas para ver a importância de convencer as jovens no uso da camisinha. A maioria delas se contaminou por via sexual. A maior vulnerabilidade do grupo feminino ocorre pela combinação de uma série de fatores, afirma Teixeira. Pesquisas mostram que a iniciação sexual ocorre em média aos 15 anos. A maioria das jovens elege como parceiro estável homens mais velhos. "Muitas das meninas se sentem inibidas, por isso, em exigir o uso do preservativo", afirma o ministro da Saúde. Nova tendência - Uma pesquisa que será divulgada em breve pelo ministério mostra, ainda, a mudança no perfil dos relacionamentos amorosos. "Hoje há uma tendência de a mulher ter vários parceiros ao longo da vida, mas todos em relacionamentos estáveis. Não de forma simultânea, como ocorreu logo depois da revolução sexual", relata Teixeira. A relação estável traz à mulher jovem uma falsa sensação de segurança. "Além disso, aumentam as inibições de ela cobrar o uso do preservativo de um parceiro com quem tem um comprometimento emocional", afirma Teixeira. Além de incluir a prevenção de aids no currículo das escolas, Teixeira defende a realização de um trabalho conjunto com o Ministério da Justiça para atender menores vítimas de exploração sexual. O programa deverá contar, ainda, com a atuação de organizações não-governamentais. A tendência de aumento da incidência da doença entre adolescentes traz uma preocupação a mais: o maior risco de, com isso, haver também um aumento do número de casos por transmissão vertical (da gestante para o bebê). "É uma situação que não precisaríamos enfrentar. Para isso, o primeiro passo é evitar que a jovem se contamine."

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2003 | 14h36

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.