CELIO MESSIAS / ESTADÃO
CELIO MESSIAS / ESTADÃO

Novas escolas focam no exterior e miram classe A

Colégios com ensino bilíngue, currículo inspirado no de outros países e mensalidades de até R$ 8 mil têm fila de espera e planos de expansão

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2017 | 22h00

Com ensino bilíngue, período integral, currículo inspirado no de outros países, forte presença tecnológica em sala de aula e mensalidades que podem alcançar R$ 8 mil, novas escolas que acabaram de abrir as portas no Brasil vêm atraindo famílias de classe alta e, além de preencherem todas as vagas, já têm fila de espera e planos de expansão.

É o caso da escola Concept, do Grupo SEB, que iniciou suas atividades neste ano em Ribeirão Preto (SP) e em Salvador (BA). Os 350 alunos das duas unidades têm aulas das 7h50 às 15h40 em salas com paredes móveis, que podem ser alteradas de acordo com as atividades, mesas organizadas em círculos, projetos interdisciplinares, laboratórios de robótica e maquinário industrial para criarem protótipos e equipamentos.

Com mensalidades médias de R$ 4,2 mil, a Concept preencheu todas as vagas oferecidas e tem lista de espera. “Nosso projeto é o que acreditamos como a antecipação do futuro da escola. Educação inovadora aposta no protagonismo do aluno para engajá-lo e descobrir suas habilidades e paixões”, disse Thamila Zaher, diretora executiva do grupo, que deve chegar à capital paulista nos próximos anos.

A médica e empresária Fernanda França, de 46 anos, de Salvador, matriculou os três filhos, de 11, 10 e 9 anos, na escola, por acreditar que a metodologia os ajudará a serem criativos e vai prepará-los para estudar no exterior. “O ambiente os estimula a buscar novas experiências. Eles falam em ir para fora, inovar. Não sei se continuarão com o desejo, mas terão a chance.” Como atividades extracurriculares – pagas à parte –, eles optaram por mandarim e caratê.

No Rio, a Escola Eleva também começou a funcionar neste semestre. Foram matriculados 372 alunos e a intenção é duplicar as vagas em 2018 – a fila tem 2 mil nomes. Amaral Cunha, diretor da unidade, define a escola como o “prime product” do grupo – a mensalidade custa a partir de R$ 3,9 mil –, que tem outras quatro redes e produz material didático. “Queremos que o modelo seja um espelho para as outras.”

Na Eleva, os alunos do 1.º ao 5.º ano estudam metade do tempo em inglês. Segundo Cunha, os pais buscaram o local por estarem cansados do modelo pedagógico “com foco no professor” e que prepara os estudantes para os vestibulares nacionais. “São pais preocupados com questões como sustentabilidade e empreendedorismo.”

A seleção para 2018 começa nos próximos meses, com palestra, entrevista com a família e provas para os candidatos. O grupo também quer abrir uma unidade em São Paulo.

Unidades pelo mundo. A capital paulista ganhará em 2018 uma escola com perfil semelhante: a Avenues. Com unidade em Nova York e previsão de abertura em Londres, Dubai e outros 18 locais, a Avenues tem mensalidades que chegam a R$ 8 mil e lista com 2,5 mil crianças cadastradas para 2,1 mil vagas.

A proposta é oferecer ensino bilíngue e estímulo à curiosidade e ao desenvolvimento das habilidades pessoais. Segundo Alan Greenberg, cofundador da escola, o currículo das várias unidades será integrado, e os alunos poderão passar um semestre em cada câmpus. “As famílias que nos procuraram querem o estudo no exterior e uma educação moderna e tecnológica.” No ensino médio, os alunos terão Inglês, Português e Matemática como disciplinas obrigatórias e, ao fim, receberão diplomas brasileiro e americano.

A empresária Lili Carneiro, de 33 anos, colocou os filhos, de 1 ano e 10 meses e de 5 meses, na fila de espera, apesar de a entrada na escola ser com 3 anos. “Os colégios nacionais estão aquém no ensino e sem investimento em tecnologia.”

Pais deve observar como os recursos são utilizados

A consultora em educação Ilona Becskehazy afirma que é preciso que os pais entendam o projeto pedagógico e a metodologia das escolas. “Muitas têm um marketing muito forte no networking, convocam as famílias para palestras e apresentações. É um mercado em que ainda há espaço, porque os colégios internacionais sempre tiveram fila de espera e essas novas escolas apostam nesse público.”

Ilona também alerta que muito do que as novas escolas ofertam já existe há algum tempo em outros colégios brasileiros. “Laboratório de robótica, aula de programação, projetos interdisciplinar e programa bilíngue já são oferecidos em muitos outros estabelecimentos. O mais importante é como essas escolas trabalham isso, como esses recursos são utilizados para, de fato, estimular os alunos e não ser só um acessório”, diz a consultora. 

A Associação Brasileira das Escolas Particulares (Abepar) – que reúne colégios tradicionais e reconhecidos por sua qualidade de ensino, como os colégios Bandeirantes, Oswald de Andrade e Santa Cruz – afirma que entre seus associados há estabelecimentos que trabalham com projetos interdisciplinares desde a década de 90 e que usam robótica desde 2009.

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