Nova avaliação do ensino chega na próxima semana

O ministro da Educação, Tarso Genro, disse há pouco, em rápida entrevista coletiva, que sua equipe deverá apresentar na próxima semana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o novo sistema de avaliação para os alunos de 1ª a 5ª série."Não é uma tarefa difícil de cumprir o que o presidente nos pediu. Já temos um sistema de aferição implementado e vamos utilizá-locombinando com outros tipos de pesquisa, transformando-o em um processo universal", adiantou o ministro.Segundo ele, os estudos indicam que a avaliação será feita em uma, duas ou três séries escolares e poderá ser aplicada eventualmente já no final deste ano. "Vamos apresentar o programa ao presidente e depois decidiremos quando será aplicado", comentou ele na abertura da 18.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.LulaO presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, na abertura da Bienal, que a melhora da educação no País e do estímulo à leitura depende principalmente de ações governamentais. "A bola não está com ninguém, está conosco. Portanto, nós não temos que reclamar, não temos que pedir,temos que fazer", afirmou, em seu discurso no Centro de Exposições Imigrantes.Ele voltou a criticar, dessa vez indiretamente, o sistema de ciclos nas escolas (em que não há reprovação anual), implementado em Estados como São Paulo, da administração Geraldo Alckmin (PSDB)."Problema crônico"Lula lembrou que as estatísticas do governo indicam que 52% dos alunos ma triculados na 5ª série em todo o País não sabem interpretar o texto que lêem, um "problema crônico" no Brasil, na visão do presidente. Ele voltou a garantir que o governo federal implementará um sistema de avaliação dos alunos, com o objetivo de aperfeiçoar os métodos de ensino.Além disso, o presidente sugeriu que o Ministério da Educação e as secretarias estaduais deEducação elaborem programas de reciclagem de educadores.LeituraAinda ao comentar o baixo índice de leitura entre os brasileiros que, de acordo com a Câmara Brasileira do Livro (CBL) está em 26 milhões de leitores ativos (com leitura individual de pelo menos três livros por ano), Lula fez uma ilação entre o despertar do interesse pela leitura entre as crianças e o desejo de adultos em praticarexercícios aeróbicos em uma esteira ergométrica."Muita gente coloca até uma esteira no quarto, muitas vezes coloca até na beira da cama pensando: ´vou levantar e começar a andar na esteira´. Mas todo dia levanta com uma preguiça desgramada e vai esticando para o dia seguinte. Isso é como um livro para uma criança, que nãoadquiriu no tempo certo o gosto pela leitura", avaliou.Prazer nos livrosPara o presidente, não adianta a disponibilidade de livros em prateleiras de biblioteca, ou sobre uma mesa onde as crianças vejam, porque sem que tenha sido desenvolvido o prazer pela leitura, as crianças não o acessarão."Temos que ter políticas para ga rantir que essa criança, no tempo certo, adquira o prazer, o gosto e a fome de leitura. Porque quando descobrir, vai acontecer o que acontece com o gosto pela esteira. A gente levanta cansado, mas quando começa a andar, depois de 20 minutos, pega o gosto e faz a nossa hora (de exercício) sem reclamar da vida", explicou.ProgramasEm seu discurso, lido em sua maior parte, Lula citou programas dos ministérios da Cultura e da Educação, como a aquisição pelo MEC de 168 milhões de livros no ano passado. Disse que, neste ano, a compra somente de livros didáticos atingirá 124 milhões de unidades.Ele citou também o programa de empréstimos de livros em residências e a promessa de abertura de mil bibliotecas no mesmo número de cidades carentes, com menos de 20 mil habitantes.

Agencia Estado,

15 de abril de 2004 | 13h19

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