Nova 1ª fase da Fuvest propõe cem questões em cinco horas

Novas recomendações da USP para deixar o exame mais acessível e R$ 1 milhão de economia num vestibular de cara nova, agora com um dia a menos. Alunos, cursinhos e colégios se assustaram, mas a direção do exame mais concorrido do País, que leva estudantes a algumas das melhores faculdades brasileiras, garante que a nova forma não vai alterar em nada a lista de aprovados Os sinais vêm desde o ano passado. Falava-se em diminuição dos enunciados das questões e de perguntas mais próximas do cotidiano do aluno de ensino médio. Em maio, a confirmação: a prova da Fuvest ia mudar. As 160 questões da primeira fase transformaram-se em 100, que têm de ser respondidas agora em um só dia. O tempo total da prova pulou de quatro para cinco horas. Pânico nos cursinhos e colégios. Para aliviar o baque, no entanto, a Fuvest garante questões menos específicas, menos extensas, enfim, mais fáceis. ?Aquelas perguntas bem complicadas de química e física tendem a desaparecer?, afirma o diretor da Fuvest, Roberto Costa. Ele fala com a certeza de ser um dos poucos a estar com a prova deste ano nas mãos. O exame, com sua nova cara, recebe neste mês os últimos retoques, para ser impresso em novembro. As recomendações para uma Fuvest diferente vêm sendo discutidas há algum tempo na Universidade de São Paulo (USP). A responsabilidade da seleção de novos alunos da USP é da pró-reitoria de Graduação e da Comissão de Graduação. As mudanças sugeridas por esses órgãos acabaram deixando o vestibular um pouco mais próximo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prova do Ministério da Educação que analisa os formandos do colégio por meio das áreas de conhecimento. O teste, elogiado por educadores, não é dividido por disciplinas e exige apenas raciocínio, relações e interpretações, nada de memorização. A diminuição no número de questões e a redução para um só dia de prova também foram motivadas pelos sucessivos prejuízos financeiros que a Fuvest tem enfrentado. A mudança trouxe uma economia de mais de R$ 1 milhão, que seriam gastos com impressão, aplicação e correção do segundo exame. Até aí, ninguém reclama. O que trouxe bate-boca entre representantes de cursinhos e colégios e a Fuvest foram principalmente as cinco horas de prova e a data do exame. ?Considero um retrocesso da Fuvest?, diz o coordenador da unidade Sergipe do cursinho Anglo, Ernesto Birner. ?Depois de quatro horas de exame, o desgaste do aluno é cada vez maior e a concentração, menor.? Para preparar os estudantes, os cursinhos aplicam simulados e mais simulados com a nova formatação. No Objetivo, já foram cinco. ?Há muitos alunos que não conseguem terminar a prova?, conta a professora Vera Lúcia da Costa Antunes. Angústia ?Apesar dos simulados, estamos inseguros?, diz o vestibulando de Medicina Daniel Kiyomura, de 19 anos. ?Pelo menos vamos fazer só uma prova na primeira fase. Acaba mais rápido a angústia.? Segundo o diretor da Fuvest, tradicionalmente são considerados três minutos para cada questão e por isso a prova ficou com cinco horas. ?O Enem dura o mesmo tempo e ninguém sai de lá para o hospital?, diz Costa. De acordo com ele, quando a prova durava quatro horas, cerca de 10% dos alunos ficavam até o último minuto na sala de aula e 20% saíam logo depois das duas primeiras horas. O diretor-geral do Colégio Bandeirantes, Mauro Aguiar, faz críticas em relação à marcação do exame para 17 de novembro. ?Já que era uma prova só, poderiam ter empurrado a data para dezembro.? Segundo ele, o ano letivo do ensino médio terá de terminar neste mês, para poder começar a revisão. A Fuvest sustenta que a postergação impossibilitaria a correção das cerca de 160 mil provas e a divulgação dos resultados no prazo estipulado. Outra diferença neste ano será a passagem para a segunda fase. Com a prova de 100 questões, as notas de corte ? numericamente ? diminuem. Além disso, por causa do aumento de 520 vagas na USP, menos candidatos farão exames em janeiro. Serão agora 2,5 candidatos por vaga na segunda fase; a relação média costumava ser de 3. No entanto, simulações feitas pela Fuvest demonstram: mudanças aqui ou ali não alteram em quase nada a lista de aprovados.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2002 | 16h05

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