Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Nota estagnada no fim do ensino fundamental e médio preocupa

Especialistas avaliam que bônus a professores atrelados a metas de aprendizagem não surtiram efeito desejado pelo governo estadual

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

10 Fevereiro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A maior preocupação com os resultados do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), segundo especialistas, é a estagnação das notas em níveis baixos no fim do ensino fundamental e no médio. Para eles, estratégias como bônus para professores atrelados a metas de aprendizagem não surtiram o efeito desejado pelo governo estadual.

O desempenho em Matemática e Português dos alunos da rede estadual paulista melhorou em 2014, mas ainda está longe do nível considerado “adequado” no ensino médio e no fim do fundamental (9.º ano), segundo avaliação feita pelo próprio governo do Estado. As duas etapas são consideradas gargalos para o avanço da qualidade da educação pública, tanto em São Paulo quanto no País. 

Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), explica que é possível ter uma margem de erro de três a quatro pontos em exames como o Saresp. Isso significa que a maioria dos aumentos de notas registrados entre 2013 e o ano passado é pequena para confirmar uma tendência de alta. 

“Quando você olha a série histórica, a conclusão é de estabilidade”, diz. “Como aconteceu na Prova Brasil, que também deixou o governo federal de saia justa.” Na última edição da Prova Brasil, de 2013, alunos do 9.º ano do fundamental tiveram leve melhora em Português e ligeiro recuo em Matemática.

Segundo o especialista, são necessárias mais estratégias para acompanhar os jovens durante a trajetória escolar. “Falta diálogo entre essa avaliação e a prática de sala de aula.” 

Sem ousadia. Paula Louzano, doutora em Educação por Harvard, defende metas mais ambiciosas. “Do Estado de São Paulo, por ser o mais rico e desenvolvido, esperamos que esteja à frente e aponte caminhos para o fundamental e o médio.” Como a maioria dos alunos dos primeiros anos do fundamental de São Paulo está nas redes municipais, para Paula, a melhora nas fases seguintes é prioritária. 

As notas também refletem, segundo Paula, o fracasso da política de bonificação dos professores para alavancar o nível das classes na rede. “Não é por meio de pressão que vai melhorar a qualidade do aluno.” Para ela, outro desafio é ter um currículo, ao mesmo tempo, rigoroso e universal.

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