Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Se o objetivo é garantir competitividade, Enem é critério fundamental

Especialista alerta, porém, que ter um bom desempenho na lista do exame não garante que uma escola seja melhor do que as outras

Tatiana Cavalcanti e Camila Santos, Especiais para o Estado

20 Setembro 2015 | 03h00

Se o objetivo é garantir melhor competitividade nas avaliações institucionais, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode ser sim um critério fundamental na escolha da escola, segundo a especialista em Educação Rute Rodrigues dos Reis, coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Camilo Castelo Branco (Unicastelo). “Ter professores bem formados, criativos e motivados (na graduação) é essencial, mas é preciso que tenhamos bons alunos para garantir esse sucesso institucional.”

O comerciante Moubarac Khanjar, de 45 anos, e sua mulher, a inspetora de alunos Claudenice, de 46, mudaram os três filhos de escola entre o ano passado e este. Para escolher a nova instituição que ficaria responsável pela educação do trio, eles levaram em conta a nota obtida no Enem pelo Colégio Argumento, em Ermelino Matarazzo, um dos dez com melhor desempenho da zona leste.

“A primeira coisa que observamos foi a organização da escola, a qualificação dos professores e o nível do ensino. Tudo para ‘moldar’ nossos filhos”, afirma Khanjar. “O critério decisivo foi o Enem, visto que o colégio alcança sempre posições exemplares.”

O comerciante acredita que os filhos - Narryda, de 18 anos, Meher, de 15 (ambos no ensino médio), e Mohamed, de 14 (fundamental) - estão “mais focados em relação aos estudos”. “O ensino é mais rígido, mas eles foram se acostumando. Vimos que nossos filhos ficaram mais esforçados. A nova escola possibilitou um modo de estudo que não tínhamos.”

Wolney Candido Melo, coordenador pedagógico do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, explica que o Enem avalia competências de leitura e interpretação de textos, exigindo que o aluno construa argumentações e que possa raciocinar e aplicar o conhecimento adquirido em situações da vida concreta.

“Isso é o que se espera que o estudante bem formado seja capaz de fazer ao término de sua escolaridade básica”, afirma. “Além disso, o Enem é a porta de entrada para 90% das universidades federais do País, isso sem contar outras boas instituições. Portanto, trata-se de um critério que deve ser levado em conta no momento de escolher uma escola, mas não é o único.”

Ter um bom desempenho na lista do Enem não garante que uma escola seja melhor do que as outras, segundo Melo. “O que deve ser levado em consideração é o que podemos chamar de ‘efeito escola’, que indica o quanto o colégio agregou de conhecimento ao aluno”, destaca. “Isso significa observar como era o aluno ao chegar à escola e como é esse aluno no final de sua trajetória ali.”

Instituições que recebem estudantes oriundos das mais diversas realidades escolares, boas ou más, e que conseguem fazer com que eles sejam capazes de obter bons resultados acadêmicos e profissionais têm muito mais relevância formativa do que aquelas que selecionam apenas as crianças e os adolescentes com altíssimo rendimento, simplesmente excluindo os demais, acredita Melo.

“Como esses alunos já iam bem nos testes antes, a melhora proporcionada por essa escola, de fato, foi menor do que aparenta ser. A ideia é ver o quanto a escola pode melhorar o aluno.”

A docente Edith Rubinstein, psicopedagoga, terapeuta familiar, especialista em Mediação Educacional e coordenadora do Centro de Estudos Seminários de Psicopedagogia, afirma que, embora os resultados do Enem sejam valorizados pelas escolas e pelas famílias, existem outros parâmetros que poderão contribuir para a formação pessoal de modo mais amplo.

“Há instituições que oferecem atividades complementares que aguçam a criatividade, o espírito crítico e a fluência com novas tecnologias, abrindo caminhos para o empreendedorismo.”

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