Nos bosques da UFSCar

Terreno com reserva de 162 hectares permite estudar em contato com a natureza e pesquisar sem sair da universidade

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2010 | 23h38

Uma antiga fazenda à beira da Rodovia Washington Luís foi o lugar escolhido para instalar, em 1970, os laboratórios e salas de aula dos primeiros dois cursos da Universidade Federal de São Carlos: Licenciatura em Ciências, já fechado, e Engenharia de Materiais. Quarenta anos depois, a única universidade federal do interior paulista tornou-se referência na formação de engenheiros e tem 34 graduações. Mas seu principal câmpus preserva a herança rural dos seus primórdios. Um dos sons característicos do lugar pela manhã é o do balanço da copa das árvores com o vento.

 

 

Localizada bem na entrada de São Carlos, a 230 quilômetros da capital, a sede da UFSCar tem 162,4 hectares de reservas naturais – mais de 25% da área total. É cercada por um cinturão de eucaliptos, criado em 1993, graças a um programa de manejo florestal.

 

Arquivo. Biblioteca guarda a coleção que pertenceu ao sociólogo e educador Florestan Fernandes

 

Uma linha de ônibus circular faz a ligação entre as dezenas de prédios espalhados pelo câmpus – que continua em expansão. Atualmente, existem dez prédios em obras. Outros 20 estão em fase de projeto.

 

“Vim pra cá por causa desse ambiente, da natureza. Eu fico por aqui o dia inteiro”, afirma a aluna de Letras Mayra Fontebasso, de 20 anos. Também aprovada na USP e na Unicamp, a estudante garante que, embora tenha levado em conta a qualidade acadêmica, o fator que mais pesou na escolha da UFSCar foi o câmpus.

 

Integrada. Mayra, aluna de Letras

 

Mayra está entre os 12.632 alunos que transitam pelo terreno da universidade em São Carlos. Contando com as outras duas áreas da UFSCar em Araras e Sorocaba, esse número salta para 14 mil.

 

Florestan

 

O câmpus de São Carlos é organizado em duas alas. Na norte, fica, por exemplo, a biblioteca comunitária, que tem a coleção que pertenceu ao sociólogo e educador Florestan Fernandes. Na ala sul ficam a reitoria e o alojamento estudantil.

 

No centro do terreno, um lago artificial banha o parque esportivo, que tem quadras de tênis e futebol, além de um extenso bosque com vegetação típica do Cerrado. “Para seguir da faculdade para o refeitório passamos por uma trilha dentro do bosque”, conta Paula Cerântola, de 22 anos, aluna do 3º ano do curso de Biologia, que saiu de Campos do Jordão para estudar em São Carlos.

 

In loco. Paula e Isabela, alunas de Biologia

 

A pequena floresta não é só mais um atrativo do cenário. Serve de local de estudo e pesquisa. Paula e a colega de curso Isabela Forti, também de 22 anos, já tocaram diversos projetos ali. “Estudamos no próprio pátio. Já fiz trabalhos de análise de solo, biologia floral e até de aves aqui”, diz Isabela.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.