Norte-americano filho de ilegais é impedido de estudar nos EUA

Pedido da Procuradoria-Geral de Virgínia pediu que as escolas verifiquem as condições dos pais de estudantes

Da redação,

14 de março de 2008 | 17h33

Quando Nelson Lopez, de 18 anos, se inscreveu na Universidade de Virgínia este ano, nunca lhe ocorreu que não seria considerado um morador do Estado. Mas em fevereiro, ele recebeu um e-mail da universidade dizendo que se quisesse ser considerado um estudante do Estado, teria que provar que seus pais estavam nos Estados Unidos legalmente, segundo foi publicado nesta sexta-feira, 14, no jornal The Washington Post.   Foi quando surgiu o problema. Lopez é um cidadão norte-americano,afinal ele nasceu no país, mora ali desde quando era um bebê, tem um titulo de eleitor e será diplomado nos próximos meses pelo colégio Alexandria. Mas seus pais são imigrantes ilegais. Nascer nos Estados Unidos não está sendo suficiente para quem se inscreve nas universidades.   Na última semana, a Procuradoria-Geral do Estado de Virgínia disse que as escolas devem verificar o estado jurídico dos pais, porque os alunos são considerados dependentes até completarem 24 anos. Isso significa que os filhos de pais sem residência legal devem ser deixados de fora da admissão e do ensino estadual. A nota da Procuradoria-Geral enfatizou que a lei estadual permite exceções na análise caso a caso, se os estudantes com 18 anos ou mais oferecerem provas convincentes de que eles devem ser considerados separadamente de seus pais.   Lopez disse que sua família - cinco pessoas que moram espremidas em um apartamento de dois quartos - nunca poderia pagar uma universidade privada. É por isso que ele se inscrevia apenas em escolas estaduais na Virgínia. É muito mais difícil para estes estudantes entrar em universidades públicas.   "Ele é uma criança surpreendente", disse Krishna Leyva, diretora do programa de orientação no Colégio TC Williams. No bairro de Lopez tem gangues crimonosas e drogas, mas ele é aplicado nas aulas e gasta muito tempo como voluntário na escola,orientando outros alunos. "Ele o faz muitas coisas boas, e ainda mantém sua (média) tão elevada. E ele nasceu aqui, o seu pai paga impostos. Fiquei realmente chocada."   Controvérsias   As discussões sobre o que fazer com imigração ilegal tem aumentado nas campanhas presidenciais, nas câmaras legislativas dos Estados e nas esquinas das ruas. E o assunto ainda provoca muitas controvérsias.   "Vamos cuidar do nosso próprio povo", disse Brad Botwin, que dirige um grupo de advogados chamado Ajudem a salvar Maryland. Segundo ele, está cada vez mais competitivo e caro entrar em universidades estaduais. "Por que você daria prioridade a alguém que deveria ser preso e deportado?"   "Por que a comunidade procuraria impedir que as pessoas estudem se isso apenas resultaria em contibuições para o Estado no futuro, em termos de força de trabalho, produtividade e rendimentos?", questionou Dan Hurley, da Associação Americana de Faculdades e Universidades do Estado.   "É algo que o público em geral está muito sensível ao certo agora. Eles não querem dar incentivos para continuidade da imigração ilegal e não querem recompensar o comportamento ilegal", disse o senador Emmett Hanger, responsável pelo projeto de lei que iria banir o ensino estadual para imigrantes ilegais, mas dar exceções para os estudantes que satisfaçam uma série de critérios fiscais e de moradia.   Funcionários da Universidade de Virgínia disseram que não poderiam falar sobre o caso específico de Lopez. Um porta-voz disse que a escola oferece um generoso apoio financeiro com base na necessidade, por isso alunos de baixa renda não devem ser obrigados para outros locais por causa do custo.   Nesta semana, a universidade pediu que Lopez se reinscreva na instituição do Estado.

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