Nordeste tem mais crianças analfabetas

Aos 13 anos, Diogo Silva faz um grande esforço para decifrar um livro de contos infantis. A leitura é truncada, lenta e cansativa. Se tivesse de escrever uma redação sobre o que leu, fracassaria.Diogo ainda não escreve. Aluno da 4.º série do ensino fundamental de uma escola pública da capital do Maranhão, ele aprendeu a ler só este ano. "Na escola, eu ainda aprendo a ler e escrever. Mas às vezes é difícil acompanhar a professora", diz.Nos Estados mais ricos, ler e escrever um simples bilhete parece uma banalidade para pessoas acima de 10 anos, mas 21 em cada 100 nordestinos não satisfazem esse critério do IBGE para classificar os alfabetizados. O Nordeste é a única região onde há mais crianças analfabetas do que alunos fora da escola."Há crianças sendo alfabetizadas tardiamente no Nordeste, que ainda está em total desvantagem na educação. Embora tenha tido um progresso grande, está longe do Sul e do Sudeste", resume a consultora do IBGE responsável pela Pnad, Vandeli Guerra.Nos anos 90, o País praticamente universalizou a escolarização dos que têm entre 7 e 14 anos, faixa em que o ensino é obrigatório. Apenas 3 em cada 100 crianças estão fora das salas de aula. Em 1992, eram 13. O Nordeste apresentou os maiores progressos, mas historicamente permanece muito abaixo das demais regiões.A universalização do ensino foi promovida com ações do poder público de estímulo ao ingresso e à permanência dos alunos nas escolas. A Pnad anterior revelou que 22% dos alunos de 7 a 14 anos são beneficiários de algum programa social voltado para a educação. Uma conseqüência imediata foi a redução do analfabetismo entre as crianças de 10 a 14 anos.No Nordeste, 8 em cada 100 crianças são analfabetas. No Sudeste e no Sul, apenas uma.O menino Diogo foi incluído no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, desenvolvido pela prefeitura com o Centro de Cultura Negra. Desde que entrou na escola, aos 7 anos, largou algumas vezes os estudos. A última delas foi no ano passado, quando passou cinco meses com a família em Guimarães, no interior do Maranhão."A minha avó morreu e a gente teve de ir pra lá cuidar da roça. Eu ajudava a minha mãe a carregar a lenha todo o dia e não ia para a escola."

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