Nordeste não terá como expandir ensino médio em 2005

Os nove Estados do Nordeste e o Pará foram bater à porta do Ministério da Educação atrás de mais recursos para garantir o aumento do ensino médio no ano que vem. Enfrentando greves, atraso de salários e dificuldades para ampliar vagas na velocidade necessária, os secretários de Educação querem uma verba emergencial para garantir o funcionamento das escolas médias até a criação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).O pedido de mais recursos foi feito há cerca de um mês e meio. Os secretários queriam R$ 300 milhões para serem divididos entre os dez Estados. O MEC obteve do Tesouro apenas R$ 129 milhões, que foram divididos entre os quatro Estados em pior situação: Alagoas, Maranhão, Piauí e Ceará."Usamos os critérios apresentados pelos próprios secretários, que apresentaram uma lista definindo as piores situações", explicou na quarta-feira o secretário-executivo do MEC, Fernando Haddad.Pedindo maisDe acordo com Neroaldo Pontes, secretário de Educação da Paraíba e vice-presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), os secretários compreendem a escolha do MEC, já que os recursos possíveis até agora são limitados.Mas vieram a Brasília nesta quarta pedir mais porque os outros seis Estados também não têm como garantir novas vagas no ensino médio sem ajuda federal. "O ensino médio está crescendo em uma velocidade muito alta. Sem o Fundeb, não temos recursos para expandir o sistema a não ser com ajuda federal", disse Neroaldo.O secretário explica que os Estados não esperam que o governo chegue aos R$ 300 milhões, mas esperam obter algum tipo de apoio.De acordo com Fernando Haddad, o ministro da Educação, Tarso Genro, vai procurar novamente a equipe econômica para descobrir se é possível uma nova contribuição federal. Os secretários deverão ter uma resposta na próxima semana.Atrasos e grevesVários Estados têm enfrentado greves de professores. No Piauí, o 13.º salário de 2003 não foi pago ainda aos professores.No Maranhão, os salários vêm sendo pagos com atraso desde fevereiro deste ano. O Estado aumentou o número de vagas de 82 mil para 320 mil em dois anos, mas corre o risco de parar a expansão este ano.No Pará, são necessárias cerca de 30 mil novas vagas no ensino médio por ano, o que o Estado não teria condições de garantir em 2005.A penúria dos Estados garante, pelo menos, o apoio de que o MEC necessita para ver o Fundeb aprovado rapidamente pelo Congresso. A proposta de emenda constitucional ainda não está pronta, mas a necessidade de ver o fundo em funcionamento tem tornado os debates entre Estados e municípios bastante flexíveis.   estatísticas de educação

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