Nomeados interventores da PUC-SP

A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) sofrerá intervenção de dois padres nomeados pelo cardeal d. Cláudio Hummes, arcebispo metropolitano de São Paulo e grão-chanceler da instituição. A partir de agora, eles deverão ser os responsáveis pelas demissões e ajustes administrativos para equilibrar a crise financeira da universidade. Segundo professores, os interventores serão os padres João Jorge e Rodolpho Pazzolo; este ocupava o cargo de secretário-executivo-adjunto da Fundação São Paulo. O anúncio foi feito pela reitora, Maura Véras, em e-mail enviado aos departamentos na sexta-feira à noite. "Como é de conhecimento público, é necessário atingir a meta de reduzir os mais de R$ 4 milhões de déficit mensal. O esforço, que exigiu sacrifícios de todos os setores, apesar de inédito e muito significativo, não foi suficiente. Com isso, não foi possível responder às exigências de nossos credores nos prazos e nos montantes estipulados. Nesta circunstância, nossa mantenedora, a Fundação São Paulo, ampliou a composição de sua secretaria-executiva para três membros e tomou para si a tarefa de realizar outros ajustes que considera necessários para atingir a meta", diz a nota, assinada pela reitora. Na prática, isso quer dizer que a reitora, que antes respondia sozinha pelo cargo de secretária-executiva da fundação, dividirá o posto com outras duas pessoas - e será voz minoritária nas decisões. A intervenção foi cogitada pela primeira vez por d. Cláudio há cerca de um mês e meio. Com o apoio da comunidade acadêmica, Maura manteve a autonomia com a condição de zerar o déficit até janeiro - uma das exigências dos bancos que emprestaram R$ 82 milhões para a universidade em agosto do ano passado. O dinheiro foi usado para prolongar o pagamento da dívida acumulada há décadas, que venceria em setembro. A primeira medida de Maura, que já havia promovido corte de mais de 100 funcionários, extinção de setores, terceirização de serviços e expansão de vagas com criação de novas unidades e campus, foi anunciar a redução de 20% na lista dos professores, responsáveis por 70% do orçamento da universidade. No total, foram demitidos 268 professores. Mesmo assim, até agora, dos R$ 4 milhões de perdas mensais, a PUC conseguiu reduzir R$ 3,13 milhões. Além disso, devido aos ajustes, a universidade anunciou que as aulas no campus Monte Alegre, em São Paulo, que deveriam ter começado na segunda-feira, foram adiadas para 2 de março. E, agora, a administração enfrenta um novo problema: a falta de verba para pagar todas as demissões. Ontem, representantes da universidade estiveram reunidos novamente com os bancos. A reitoria disse, por meio da Assessoria de Imprensa, que comunicou aos professores a decisão tomada pela Fundação São Paulo de alterar a composição da secretaria-executiva e que aguarda informações da própria fundação para saber como será o trabalho a partir de agora. Procurado, d. Cláudio não foi encontrado. REAÇÕES "Somos contra essa intervenção que leva à perda da autonomia e da democracia na universidade", disse o professor Erson Martins de Oliveira, diretor da Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc), que prepara para amanhã uma reunião para discutir as ações do sindicato e um documento oficial. A primeira reação veio da Faculdade de Psicologia, que, em nota divulgada ontem, manifestou "total discordância em relação aos últimos acontecimentos (....), à clara ingerência dos dirigentes da Fundação São Paulo sobre a estrutura decisória da universidade e sobre a sua direção máxima, que acabou por limitar o âmbito de poder da reitoria". Não é a primeira vez que o grão-chanceler da universidade nomeia um interventor. No início dos anos 90, d. Paulo Evaristo Arns adotou medida semelhante.

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