No kit para indígenas, um certo Professor Think

O Professor Think, personagem inspirado num pesquisador inglês, é um dos protagonistas do kit educacional que o Ministério da Educação vai distribuir às 2.079 escolas indígenas do País e parte da rede pública para difundir a cultura das tribos brasileiras.Financiada pela empresa Bosch, com recursos da Lei Rouanet, a produção do kit custou R$ 500 mil. Ela é resultado de uma expedição que pesquisou as brincadeiras e os jogos típicos dos índios brasileiros.Nesta terça-feira, os ministros da Educação, Tarso Genro, da Cultura, Gilberto Gil, e o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira, participaram da entrega simbólica de 20 mil kits pela Bosch e a empresa Origem Jogos e Objetos, que organizou a expedição e preparou o material - um livro para estudantes, outro para professores e um jogo, além de documentário em vídeo.É no livro para estudantes que a expedição é narrada e são apresentados os diferentes jogos indígenas. De acordo com o diretor da Origem, Maurício Lima, o Professor Think foi inspirado no professor do Museu Britânico Irving Finkel, que auxiliou o trabalho."Há no Brasil cerca de 200 etnias e cada uma tem uma língua. O que uma outra língua vai prejudicar?", respondeu ele ao ser indagado sobre a escolha de um nome em inglês para designar o professor-personagem.Tarso também não viu problema. "O que tem demais? Não me causa estranheza nenhuma. O saber é universal", disse o ministro da Educação.Antes ele havia destacado que a educação indígena no Brasil tem como objetivo levar informação e conhecimento aos índios, respeitando suas tradições e sem provocar danos a suas raízes culturais.O coordenador-geral de Educação em Escolas Indígenas do MEC, Kleber Matos, disse que os índios são historicamente povos "abertos ao contato" com outros povos e que o personagem Professor Think "não é nenhum perigo à cultura deles".

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