Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

No ensino superior, orientação profissional ganha espaço

Instituições têm apostado cada vez mais em novas metodologias de atendimento, programas de mentoria personalizados e aproximação com o mercado de trabalho.

Tulio Kruse, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2018 | 05h00

Mudanças no mercado de trabalho, como instabilidade no emprego e demanda por novas competências e habilidades, estão levando universidades a reformar seus serviços de orientação profissional. As instituições de ensino têm apostado cada vez mais em novas metodologias de atendimento, programas de mentoria personalizados e aproximação com o mercado de trabalho. Em comum, essas iniciativas têm o objetivo de treinar o aluno para enxergar oportunidades em um cenário mais incerto.

A turbulência no mercado de trabalho e a consequente ansiedade entre os alunos fizeram com que a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) inaugurasse um novo serviço de mentoria no início do ano. Nele, o aluno marca sessões de aconselhamento com professores especializados na área de interesse.

Disponível apenas para estudantes da pós-graduação, o programa deve ser ampliado para todos os alunos nos próximos anos, segundo a ESPM. O público-alvo são os alunos que têm interesse em se aprofundar no planejamento da carreira. Por enquanto, os graduandos têm à disposição uma sessão com as psicólogas do serviço.

Na mentoria, é possível ter conversas com vários tutores no semestre. Se o interesse é mudar de área, há professores especializados em desenvolvimento de carreira. No caso de dúvida sobre o assunto, um professor da área deve estar disponível. “O programa deixa essa flexibilidade para ele sentar e conversar com os diversos professores que precisar”, diz a coordenadora do ESPM Carreiras, Marcia Portazio.

O aconselhamento também ocorre através das entidades estudantis. No caso do aluno Gabriel Borba, do 7.º semestre de Administração, foram os conselhos durante a passagem na ESPM Social, uma agência estudantil experimental, que o ajudaram a encontrar um caminho na carreira. A entidade tem um professor que acompanha os alunos e aplica técnicas de mentoria da área de carreiras da escola. Para Gabriel, serviu para ganhar confiança e descobrir sua criatividade. “Ajudou muito para que eu acreditasse e soubesse que é realmente isso que eu quero: algo criativo”, diz Gabriel, que hoje considera trabalhar com marketing. “Sempre foi muito difícil acreditar no meu trabalho, e isso mudou.”

Demanda. Na Universidade de São Paulo (USP), o serviço de orientação profissional tem registrado aumento na demanda a cada semestre. Os alunos são atendidos no Núcleo de Orientação Profissional (NOP), ligado ao Instituto de Psicologia da universidade. Mas a orientação de carreira também está disponível para alunos de outras universidades e à comunidade em geral – para se consultar, basta ter mais de 14 anos. 

A preocupação com a carreira aumentou em todas as faixas etárias, o que se traduziu em mais procura pelo serviço nos últimos anos, segundo a coordenação. O atendimento aos alunos, que tradicionalmente recebe mais estudantes do 1º ano com dificuldades de adaptação ao ambiente universitário, tem visto crescer o número de veteranos preocupados com o futuro.

“O aumento é bastante significativo”, conta a psicóloga Maria da Conceição Uvaldo, que faz atendimentos no serviço de orientação profissional da USP desde 1985. “A insegurança do recém-formado e do ‘quase formado’ hoje é enorme, basicamente porque o mercado de trabalho não é tão linear, ou seja, independentemente do curso, o aluno pode ter uma série de oportunidades de trabalho.”

Nos últimos cinco anos, o NOP vem testando uma nova metodologia de atendimento individual que, segundo a coordenação, chegou ao modelo ideal no último semestre. Cada aluno faz quatro encontros em que define uma estratégia de carreira. Em resposta às mudanças no mercado, o objetivo dos psicólogos do serviço é adaptar o planejamento a uma realidade mais flexível. Para Conceição, o aluno deve “ficar atento às mudanças, entender a multiplicidade de possibilidades que um curso pode te oferecer em termos de mercado”.

Isso já começou a ser discutido de forma independente em institutos e faculdades da USP, ela diz. “Temos movimentos claramente fortes dentro da USP no sentido de colocar mais essas questões para serem discutidas em cada curso. Isso é impacto desse momento, dessa nova configuração do mercado de trabalho”, conta Conceição. 

Mercado. Já na Universidade Paulista (Unip), a aposta é na aproximação com o mercado para mudar o foco da orientação profissional e aumentar as oportunidades de empregabilidade dos alunos. Uma reformulação na área de Carreiras e Mercados da universidade, ainda em andamento, pretende realizar processos seletivos dentro da Unip, e ajudar as empresas na procura pelos melhores candidatos. A mudança veio após empresas interessadas em novas parcerias terem entrado em contato a Unip, segundo a universidade. “É uma via de mão dupla: a empresa pode oferecer palestras e workshops, e em contrapartida temos os nossos alunos, que podem participar dos processos seletivos das empresas conveniadas”, diz a professora Ana Paula Gonçalves, coordenadora do setor de Carreiras e Mercados da Unip.

O novo setor, inaugurado este ano, também quer oferecer orientação com especialistas. Esse serviço deve ser implementado no 2.º semestre. A universidade tem estudado propostas de empresas que fazem mentoria e aconselhamento de carreiras, e possam atender os alunos em uma plataforma online, no site da instituição.

Além disso, a Unip planeja oferecer cursos de coaching – que além da orientação de carreira também serve para desenvolver novas habilidades – em grupo ou individuais.

Mais conteúdo sobre:
Fórum Estadão educação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.