No 1º dia do Enem, 37 alunos são eliminados por tirar foto da prova

Candidatos reclamaram do número de textos no exame de Ciências Humanas; eles também fizeram questões de Ciências da Natureza

Estadão.edu,

03 Novembro 2012 | 18h16

No primeiro Enem após a aprovação da Lei de Cotas nas universidades federais, a prova de Ciências Humanas, com 45 questões de múltipla escolha, perguntou sobre Martin Luther King, defensor dos direitos civis dos negros americanos, e sobre o legado dos povos africanos na cultura brasileira. Os estudantes também fizeram 45 testes de Ciências da Natureza neste sábado, 3, entre 13h e 17h30, horário de Brasília.

 

Amanhã serão aplicadas as provas de Linguagens e Códigos e de matemática, cada uma com 45 questões, além da redação. Os candidatos farão o exame entre 13h e 18h30. Mais de 5,7 milhões de pessoas estão inscritas este ano.

 

O Ministério da Educação (MEC) não registrou incidentes graves no primeiro dia de Enem. Houve queda de energia em um local de prova de Belo Horizonte, por exemplo. A falha durou 20 minutos. O mesmo problema foi detectado em outros dois locais.

 

As redes sociais foram destaque na prova este ano. O MEC retirou da sala 37 estudantes que fotografaram provas e cartões de resposta e publicaram no Twitter ou no Instagram. Pelas normas do exame, é proibido utilizar quaisquer dispositivos eletrônicos, sob o risco de ser eliminado do concurso.

 

De manhã, boatos de que o Enem havia sido cancelado ganharam o Twitter. A hashtag #Enem2012Cancelado alcançou o 4.º lugar dos Trending Topics mundiais por volta de 11h. Segundo o MEC, o usuário Chora Minha Nega (@gui_pangua) foi o responsável por espalhar a informação falsa. O dono do perfil, que se identificou como Guilherme, disse ao Estadão.edu que "apenas foi na onda" e também postou hashtags sobre o cancelamento da prova que estavam sendo publicados desde a madrugada. "Não acho justo o MEC me responsabilizar." A Polícia Federal investiga o caso.

 

 

Atraso

 

Estudantes culparam o trânsito por chegarem atrasados aos locais de prova em várias capitais do País. No Rio, a aluna Amanda Silva de Freitas, de 18 anos, desesperou-se ao se deparar com o portão 5 da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) fechado às 13h13. Ela subiu no portão mas desistiu quando foi informada pelos fiscais que não havia exceção para os atrasados. “A errada fui eu. Saí de casa 12h45 porque moro bem perto, mas não esperava tanto trânsito. Dei mole, vacilei. É uma sensação de desespero, um ano jogado fora", disse Amanda. "Minha sorte é que tem o vestibular separado da Uerj para Odontologia em dezembro. Mas perdi a chance da UFRJ e da Unicamp." A UFRJ seleciona alunos pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e a Unicamp utiliza o Enem para compor parte da nota da 1ª fase de seu vestibular.

 

Em Curitiba, pelo menos candidatos sabáticos pegaram o ônibus errado e se atrasaram dois minutos. Eles fariam as provas somente a partir das 19 horas, porque ambos são adventistas e têm um regime especial para o exame.

 

Em Salvador, uma manifestação de cerca de cem moradores da Favela da Polêmica interrompeu o trânsito em uma das mais movimentadas avenidas da cidade, a Antônio Carlos Magalhães, no fim da manhã, e causou o atraso de dezenas de estudantes que seguiam para os locais de aplicação do Enem.

 

“Saí às 11 horas de casa, daria tempo de sobra para chegar”, lamentou a estudante baiana Rosane Porto, de 19. Moradora da Pituba, ela teve de passar pelo local com trânsito bloqueado. Chegou com cinco minutos de atraso. “Estava tudo muito engarrafado.”

 

No extremo norte do País, o quadro era outro. Para participar do Enem e garantir uma vaga na universidade, estudantes do Amazonas chegaram a enfrentar cinco dias de viagem de barco pelos rios do Estado.

 

Exemplo disso é o estudante Weverthon Pereira, de 19, que viajou os mais de 800 quilômetros que separam São Gabriel da Cachoeira, onde ele mora, para realizar a prova em Manaus. “Eu saí de casa há cerca de dez dias e cheguei aqui na quinta-feira para realizar a prova”, disse.

 

Prova

 

A capacidade de interpretar textos foi bastante exigida dos candidatos na parte de Ciências Humanas. Algumas perguntas utilizaram trechos de obras dos filósofos Immanuel Kant, Charles de Montesquieu e Jürgen Habermas. Outras eram baseadas em fragmentos de reportagens jornalísticas.

 

Enquanto sobrou texto, faltaram gráficos. Só uma questão trazia um mapa, por exemplo. Outra tinha um quadrinho do Capitão América no qual ele batia em Adolf Hitler. A pergunta queria saber sobre qual fato histórico aquela cena se referia.

 

Na parte de Ciências da Natureza caíram perguntas sobre água, bem-estar da população, fotossíntese e geração de energia. Em uma das questões, a prova apresentava um terreno e perguntava qual tecnologia de geração de eletricidade seria ideal naquela área.

 

Um quadrinho do Garfield foi utilizado para perguntar sobre doenças. Outro destaque da prova foi a quantidade de questões de química orgânica e de cinemática.

 

“As questões de biologia e química estavam até mais fáceis do que a parte de Humanas. Só tinha texto enorme”, afirmou Hérica Patrocínio, de 22 anos, que prestou o exame no câmpus da Uninove na Barra Funda, zona oeste de São Paulo.

 

A estudante Mariana Moura, de 17, também reclamou da prova de Humanas. "Os textos estavam muito cansativos", disse. "E precisava estar afiado para acertar as questões de química." Ela fez o Enem na UniPaulistana, na Vila Mariana, zona sul.

 

Para a candidata Karine Brás, de 17, a quantidade de textos era "excessiva", mas os textos não eram tão longos como disseram outros estudantes. "Em duas horas dava para finalizar a prova.”

 

* Atualizada às 18h42

Mais conteúdo sobre:
Enem

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.