Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Nervosismo é o maior obstáculo na prova da OAB, dizem novatos e veteranos

Único meio para exercer advocacia no País, avaliação causa ansiedade que atrapalha a maior parte dos candidatos, dizem alunos

Tulio Kruse, O Estado de S. Paulo

25 Março 2015 | 16h25

Conhecido por taxas de aprovação historicamente pequenas, abaixo de 30%, o exame da OAB tem desafios maiores que apenas o conteúdo das questões. O que candidatos experientes e estreantes relatam como uma de suas maiores dificuldades é o controle da ansiedade durante a prova. Superado esse obstáculo, fica mais fácil administrar o tempo dedicado a cada questão e adotar estratégias que melhorem o desempenho na Prova Objetiva.

O nervosismo se deve à importância do Exame de Ordem, único meio de conseguir o certificado para exercer a advocacia no Brasil. Boa parte dos candidatos se sente pressionado pelo peso que a avaliação tem na carreira do recém-formado, segundo relatos de quem se prepara para a prova. "A primeira coisa que perguntam quando você diz que é formado em Direito é: 'já passou no exame da OAB?'", diz Claudiana Coelho, de 35 anos.

Formada em Direito pela Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) em 2012, Claudiana precisou de três tentativas até ser aprovada, em janeiro deste ano. Mais experiente, ela passou a confiar mais no seu primeiro palpite para as questões de múltipla escolha. "Antes eu mudava a resposta, porque não confiava na minha primeira escolha. Na última vez eu não mudei e isso funcionou", conta.

Entre o primeiro e o último exame, ela diz que sua preparação mudou gradualmente até o ponto em que passou a estudar durante todo o seu tempo livre. Sua rotina envolvia aulas em um curso especializado durante a manhã, trabalho à tarde e uma nova bateria de exercícios à noite. Na 14ª edição do exame, em agosto de 2014, ela foi aprovada na prova objetiva, mas não passou na segunda fase por causa do nervosismo, afirma. No entanto, ganhou o direito de fazer apenas a segunda fase na edição seguinte por meio da 'respescagem'. "O que quase todas as pessoas reclamam é sobre o nervosismo como maior dificuldade", diz Claudiane. "É um peso muito grande não só pela pressão externa, mas também pela cobrança pessoal."

Estreia. Emille Leone, de 21 anos, acredita que novatos como ela levam vantagem quando o assunto é nervosismo na prova. Estudante do 9° semestre na Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes, ela faz a prova pela primeira vez neste no mês passado. "A pessoa que já fez várias vezes a prova e não conseguiu sente mais o nervosismo, porque a pressão por fazer aquela prova mais uma vez pode ser um peso maior," opina. "Eu fico tranquila, até porque ainda estou no 9° semestre e sei que até me formar ainda tenho outras duas chances."

Apesar de estar em uma situação mais confortável, Emille também está se preparando intensivamente para a prova. Ela entrou em um curso preparatório no ano passado e, após sair do estágio que faz pelas manhãs, dedica tardes e noites ao estudo. Como teve desempenho ruim nas provas simuladas que fez quando começou a se preparar, ela sabe que depende dessa rotina de dedicação para conseguir seu certificado da OAB. "O diploma de Direito é muito limitado, dependemos muito dessa prova para exercer a profissão."

2ª Fase. A Fundação Getúlio Vargas, contratada para aplicar o Exame de Ordem, deve divulgar o resultado preliminar com os nomes de candidatos aprovados para segunda fase, na próxima segunda-feira, dia 30 de março. A prova prático-profissional do 16º exame da OAB será aplicada no dia 17 de maio. A previsão é que a prova tenha início às 13h, no horário oficial de Brasília, e dure no máximo cinco horas. 

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