‘Negociar não significa atender às demandas’

Para reitor da Universidade de São Paulo, os sindicatos da instituição devem 'abandonar a intransigência' 

Entrevista com

Marco Antonio Zago

Victor Vieira , O Estado de S. Paulo

08 Agosto 2014 | 03h00

A crise financeira e a greve de professores e funcionários aumentaram o desgaste do atual reitor da USP, Marco Antonio Zago, no primeiro semestre de gestão. Na queda de braço com as categorias pelo reajuste, Zago rebate as acusações de intransigência e justifica o congelamento de salários com a falta de recursos. Leia a seguir a entrevista concedida nesta quinta-feira, 7, por e-mail.

Quais são as saídas para que se encerre a greve na USP? 

A saída é, em primeiro lugar, os dois sindicatos da USP abandonarem a intransigência, representada pela decisão de somente negociar em conjunto com os sindicatos das duas outras universidades e com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), negando-se a negociar internamente. As realidades e necessidades de cada instituição são diversas, e precisam ser tratadas de maneira diferenciada. Além disso, negociar não significa atender, incondicionalmente, às demandas dos sindicatos, mesmo quando não há recursos para isso. Temos de manter as instituições vivas, e não asfixiá-las no desastre financeiro.

Unicamp e Unesp têm caminhado na negociação de pautas específicas, como abonos e vale-alimentação. O que a USP pode oferecer neste sentido? 

Os funcionários não docentes da USP tiveram reajustes salariais e outras vantagens muito acima do que ocorreu com as outras duas universidades paulistas, que estão buscando, assim, se aproximar do que ganham os funcionários da USP: o que as duas universidades estão oferecendo de benefícios é o que a USP já vem pagando há vários anos. Além disso, nos últimos quatro anos, a USP pagou um abono de R$ 11.500,00 para todos os docentes e servidores, que é muito superior àquilo que as outras duas universidades estão pagando agora.

Com arrecadação menor que o previsto, quais são as chances de conceder reajuste em setembro? 

Creio que devemos esperar a chegada do momento das negociações. Mas a previsão de que em setembro a situação não vai melhorar não deve servir de argumento para antecipar aumentos. Além do mais, a USP tomará outras medidas para reestruturar a gestão que poderão resultar em mais economia.

Os grevistas reclamam de intransigência em ações como corte de pontos pelos dias parados e reintegração de posse pela Polícia Militar. Como o senhor responde às críticas? 

Direito de greve é uma importante conquista democrática do País, pela qual lutei pessoalmente. No entanto, numerosas decisões de tribunais superiores (STJ e STF) reforçam que a greve corresponde a uma suspensão do contrato de trabalho e portanto os dias não trabalhados não devem ser pagos. Além de legal, essa atitude parece lógica à maioria dos cidadãos e trabalhadores que, quando fazem greve, sabem que não recebem os dias parados. Também não fazem parte do direito de greve a obstrução e ocupação de prédios, fechamento de ruas e espaços públicos e desrespeito ao direito de ir e vir.

Que outras medidas serão tomadas para minimizar os efeitos da greve ou encerrar a paralisação? 

A reitoria tem procurado manter contato, esclarecendo que o grau de comprometimento financeiro da universidade não permite, no momento, fazer reajuste salarial. Faremos em breve uma reunião com todos os diretores e gestores da USP para planejarmos o futuro da vida acadêmica e administrativa. 

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