Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão
Imagem Renata Cafardo
Colunista
Renata Cafardo
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Não há evolução sem bom professor

Antes, durante ou depois da pandemia, não há nenhuma política no Ministério da Educação para valorizar os mais de 2 milhões de professores das escolas brasileiras

Renata Cafardo, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2021 | 05h00

Em agosto de 2018, quando ainda tínhamos esperança de um país melhor depois das eleições, escrevi sobre os desafios para o novo presidente na área da educação. Era consenso que só haveria evolução se o próximo governo investisse fortemente no professor.

Investir não significava (nem significa hoje) só aumentar salários, apesar da clara disparidade em comparação a profissionais de outras carreiras. Mas, sim, espelhar-se nas experiências de países que conseguiram dar saltos altos e rápidos na educação. Eles estruturaram uma política nacional que considera o docente fundamental para a sociedade.

Hoje, mais de 3 anos depois e já sob a sombra de novas eleições presidenciais, fica claro que passamos o tempo fazendo nada. Enfrentamos na semana passada mais um 15 de outubro, dia do professor, tendo pouco a comemorar. 

Estamos lutando contra a covid por um ano e meio, mas não foi só isso. O governo que assumiu o País ignora completamente o que poderia nos permitir ser um Brasil melhor. Na educação, ainda faz o inverso. Tumultua, agride, tira dinheiro, coloca-se como inimigo. 

Antes, durante ou depois da pandemia, não há nenhuma política no Ministério da Educação para valorizar os mais de 2 milhões de professores das escolas brasileiras. Ninguém lá dentro está preocupado com as pesquisas que mostram, com dados objetivos, que crianças ensinadas por bons professores têm mais chance de cursar ensino superior, entrar em faculdades de melhor qualidade, receber maiores salários e poupar mais para aposentadoria. 

Fala-se há tempos no mundo sobre selecionar os melhores alunos do ensino médio para serem professores. E que é necessário reformar a formação docente, aproximando da realidade da sala da aula, com técnicas de ensino, mentoria de profissionais mais experientes. Para evoluir, o País deve dar ainda incentivos para que os melhores professores estejam nas escolas com alunos de classe baixa e pior desempenho.

Há também um forte debate sobre a real profissionalização do professor, com avaliações e maiores salários para quem é melhor. Canadá, Finlândia, Estônia, Austrália, Cingapura, Chile seguiram esses caminhos. Mas o governo Bolsonaro parece que nunca ouviu falar de nada disso. 

A pandemia nos deu uma oportunidade, apesar de tanta desgraça. Famílias olharam para o professor, reconheceram sua importância. A esperança agora é que o País não mais eleja quem ignora a peça chave da educação e que tem o poder de transformar a sociedade. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.