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Namoro não deve fazer parte da infância

Nem sempre lembramos que, nessa etapa da vida, brincar é o que mais colabora para a criança aprender

Rosely Sayão, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2022 | 05h00

Dia dos Namorados. Dia de celebrar encontros, afetos. Ou, no caso do mercado, de aumento de vendas. Será que há alguma relação desse dia com pais e filhos? Há. Primeiramente, vamos pensar nas crianças que estão na primeira infância, ou seja, até 6 anos, mais ou menos. Nem sempre lembramos que, nessa etapa da vida, brincar é o que mais colabora para a criança aprender.

A criança pode recorrer à brincadeira de médico para se livrar do incômodo que sentiu ao ser examinada no consultório do pediatra, por exemplo. Ou pode brincar de namorar já que, além de observar atentamente o comportamento dos adultos, está também submetida a imagens das telas, sejam elas da TV ou da internet. Elas estão muito expostas a tudo o que ocorre na vida, portanto.

Brincar de namorar pode acontecer, mas essa é uma brincadeira como outra qualquer, que não deve merecer comentários.

Entretanto, há pais e outros adultos que acham “uma gracinha” a criança dizer que uma colega ou um colega é sua namorada. E, para nosso espanto, a criança pode até nem fazer referencia alguma a essa questão, e são os pais que perguntam sobre quem a filha ou o filho está namorando.

Não pode, gente! Namoro não deve fazer parte da infância, sob risco de anteciparmos um erotismo que é prejudicial, principalmente às meninas!

É na adolescência dos filhos que muitos pais se atrapalham bastante quando eles começam a namorar. É nessa fase da vida que eles experimentam os primeiros relacionamentos afetivos e exploram sua sexualidade, agora na forma adulta.

Há pais que não reconhecem que o filho cresceu e que, portanto, tem direito à privacidade. Querem saber de tudo, de tudo mesmo que se passa na vida dos filhos. Mas é bom saber que nessa fase eles precisam se afastar um pouco dos pais para ganhar a própria vida.

Não dá para agir como se eles ainda fossem crianças! Estas não sabem guardar segredo, enquanto os adolescentes, ao ganharem um pouco, pelo menos, de maturidade, ganham também a capacidade de ter e de guardar segredos.

E que tal receber em casa para convivência regular namorados dos filhos? E mais: estabelecer contato próximo com a família deles? Isso em geral termina em confusão porque namoros da adolescência são, na maioria das vezes, temporários ou de curta duração.

Por isso, talvez a melhor atitude dos pais deva ser a de um respeitoso distanciamento dessa parte da vida deles. É assim que eles têm a grande oportunidade de crescer e de amadurecer.

*É PSICÓLOGA, CONSULTORA EDUCACIONAL E AUTORA DO LIVRO EDUCAÇÃO SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ

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