NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Nalini sugere 'flexibilizar' lei para cumprir metas do plano estadual

SP está perto do limite da lei de responsabilidade no gasto com servidores; plano foi sancionado com 1 ano de atraso

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2016 | 21h13

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), sancionou nesta sexta-feira, 8, com mais de um ano de atraso, o Plano Estadual de Educação (PEE). No entanto, o secretário da Educação, José Renato Nalini, já afirmou que será “muito difícil” o cumprimento integral das 21 metas previstas no plano para os próximos dez anos, se não houver uma “flexibilização” da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). 

“De um lado, temos uma insuficiência de recursos financeiros, que impede o cumprimento do orçamento. De outro, a LRF, que em relação à Secretaria Estadual de Educação é muito mais penosa e aflitiva, já estamos quase alcançando o limite prudencial da lei”, disse Nalini. A lei foi criada no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e prevê, entre outras medidas, como limite prudencial que os gastos com o pagamento de servidores não ultrapassem 46,55% do orçamento do órgão.

O secretário não especificou quais metas podem deixar de ser cumpridas. Mas duas delas se referem diretamente ao aumento dos gastos com a folha de pagamento dos professores. O plano tem como meta a valorização do magistério, com a equiparação de seus salários ao dos demais profissionais públicos com escolaridade equivalente até o sexto ano de vigência do plano. Também assegura que, no prazo de dois anos, será criado um plano de carreira para todos os professores. 

“A LRF é uma coisa que o Brasil precisa flexibilizar. Eu confio nisso para que a educação possa atender a todas as suas demandas, quase todas elas legítimas, justas e compreensíveis”, disse Nalini. O secretário mais uma vez disse não ter recursos para o reajuste salarial pedido pelos professores, que estão há 24 meses sem nenhuma proposta, nem ao menos de reposição inflacionária – até o piso salarial dos professores está abaixo do que prevê a legislação federal.

Críticas. A data-limite para todos os Estados e municípios aprovarem um plano local era 24 de junho do ano passado, conforme estabelecia o Plano Nacional de Educação (PNE). Mais de um ano atrasado, o PEE de São Paulo também foi criticado por especialistas em educação por ser praticamente uma cópia do plano nacional, sem trazer metas mais condizentes com a realidade do ensino do Estado. 

Outra crítica é a de que o plano não traz projeções orçamentárias estaduais que garantam o cumprimento das 21 metas. O texto de São Paulo prevê apenas o aumento do investimento conforme o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, tal como já previa o PNE.

A Secretaria Estadual da Educação afirma que o plano estadual foi aprovado por unanimidade e avança, sim, em relação ao nacional, com uma meta a mais e a inclusão de um novo modelo de formação de professores e servidores.

Além disso, diz a pasta, o plano estadual "está à frente na alfabetização de todas as crianças no máximo até o final do 2° ano do Ensino Fundamental (meta 5)". De acordo com a secretaria, 98,7% dos alunos da rede estadual dessa faixa etária já sabem ler e escrever.

Sobre as projeções orçamentárias, a secretaria afirma que São Paulo é o Estado que aplica o maior porcentual na educação, de 30%, quando a constituição determina 25%. Diz ainda que, entre 2011 e 2014, o salário dos professores foi reajustado em 45%, com piso superior ao determinado pelo MEC, e que os docentes são beneficiados pela política do bônus, que já pagou R$ 450 milhões a 223,8 mil servidores. 

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