Na hora de escolher colégio, qualidade é o primeiro quesito levado em conta pelos pais

Na hora de escolher colégio, qualidade é o primeiro quesito levado em conta pelos pais

Critérios considerados incluem também ambiente, infraestrutura e localização; preço é apenas o 5º item, segundo pesquisa

Guilherme Soares Dias, Estadão.edu

16 Setembro 2014 | 03h00

Qualidade do ensino. Esse é o fator levado em consideração por 64% dos pais como principal critério para definir o colégio dos filhos. Na sequência, são considerados o ambiente agradável e a localização, ambos citados por 48% das entrevistadas em pesquisa da empresa de inteligência de mercado Sophia Mind. Já o preço aparece, apenas, em 5.º lugar (38%) como fator decisivo na escolha, atrás de método de ensino (46%) e infraestrutura (44%). O levantamento mostra ainda que as mulheres são as responsáveis por essa escolha: 38% decidem sozinhas e 36% têm ajuda do marido, mas tomam a decisão final.

De acordo com a diretora de Marketing da Sophia Mind, Cristiane Libardi, que coordenou a pesquisa, a qualidade é descrita pelos pais como uma escola que mantém respeito e diálogo com professor e aluno, tem educadores preparados, estimula a curiosidade da criança e garante segurança. “Como a escola assume um papel cada vez maior na educação, essa é uma preocupação recorrente das mães, que até topam pagar mais”, afirma. 

A importância da escolha correta da escola é ressaltada pela coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade Singularidades, Cristina Barelli, que pondera que a decisão não é definitiva. “Precisa levar em conta a idade do filho. Não é necessário escolher a escola de educação infantil já pensando no ensino médio. Pode estudar em locais diferentes em cada etapa”, considera.

Foi o que fez a dentista Renata Mourão, de 43 anos, na hora de escolher a escola das três filhas. Na educação infantil, ela preferiu uma escola menor focada nessa etapa do ensino. “Era mais acolhedora e tinha facilidade de acesso por ser perto de casa”, diz. Quando elas passaram para o ensino fundamental foram para um estabelecimento com aulas de alemão. “Queria escola forte, que desse atenção para a criança e pensasse de forma global, mas que também oferecesse algo a mais”, diz a mãe de Raquel, de 13 anos, que está no 8.º ano, Thaís, de 11, no 7.º ano, e Beatriz, de 6, que cursa o 1.º ano. 

Entre os fatores que devem ser considerados, a pedagoga Cristina Barelli cita o método aplicado pela escola, o preço e a distância. “O principal é os pais terem clareza sobre quais valores atribuem para a educação formal, o que se espera da escola”, afirma. 

O diretor de audiovisual Ricardo Martinari, de 48 anos, levou alguns fatores em consideração para decidir o lugar para as filhas Júlia, de 4 anos, e Luana, de 7. “Além de ser construtivista, a escola oferece inglês, espanhol e francês e apresenta leque cultural variado, com produção de curtas-metragens pelos alunos”, afirma.

A postura do colégio diante dos problemas foi importante para a decisão da empresária Flávia Angi, de 40 anos, que tem dois filhos: Luiza, de 10 anos, e Henrique, de 6. A filha chegou a estudar em uma escola tradicional, mas foi transferida para uma construtivista, após receber uma advertência ao sair da sala sem permissão. “Ela não estava feliz e eu também percebi que a escola não tinha valores parecidos com os nossos”, afirma. 

Cotidiano. Antes da escolha, Cristina Barelli recomenda que os pais conversem com os responsáveis pedagógicos para entender como o método funciona no dia a dia. Cristina reforça que um colégio é responsável não apenas pelo conteúdo formal, mas também de valores. “Há um currículo oculto, é um ambiente de troca. É importante saber quais são os valores, para ver se não vai entrar em contraposição com os da família”, diz. 

A psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano lembra que a escola não pode ser longe de casa, já que o convívio social com os colegas de classe também é importante. “Além do fácil acesso, facilita que a criança cultive vida social com os colegas”, diz. 

A especialista ressalta ainda que o preço deve ser acessível. “Não pode gerar sofrimento para a família toda. A criança é que vai conviver com colegas de classe social diferente e receber cobranças exacerbadas por causa do alto investimento dos pais. Ela não tem maturidade para dar conta dessa pressão”, adverte.

Depoimento.

Andréa Biehler, jornalista que mudou o filho de escola privada para pública

“Quando matriculei meu filho em escola cara, tinha medo de ele se influenciar com ambiente de gente que tem muito dinheiro, não valoriza o que tem e vive distante da realidade da maioria da população. Essa preocupação se mostrou procedente. 

Ele saiu de uma escola de bairro e foi para uma maior, alternativa, na zona oeste paulistana. Tinha 12 anos, estava no 8.º ano, virando adolescente. De repente, deixou de ser bom aluno e virou um desconectado, só se interessava por videogame. Também elevou o patamar dos anseios consumistas.

A escola se limitava a me chamar para cobrar pelas tarefas não feitas. Lá, ele conheceu adolescentes que bebiam destilados, fumavam maconha e a escola nunca teve uma postura parceira, de procurar se aproximar dos pais na administração desses problemas. Até que ele foi expulso por problemas de comportamento. Ligaram e me pediram para ir buscá-lo imediatamente porque não queriam sequer que retornasse à classe. A escola não teve uma atitude educadora, de compromisso em enfrentar as dificuldades para educar. Eram só cobranças e punições.

De lá, ele foi para uma escola alemã e, como faltava muito, não fazia tarefas e continuava com notas ruins, acabei cumprindo a ameaça de colocá-lo na rede pública. Fiz isso angustiada pela péssima fama das escolas públicas, mas busquei uma bem avaliada. Foi um choque de realidade. Ele achou que seria moleza, não estudou e repetiu de ano. Continua lá e acho que está sendo benéfico conviver com gente que batalha por vida melhor. Passar informações e desenvolver o espírito crítico é importante, mas o tipo de relação que a escola tem com os pais e o perfil de seu público têm de ser levados em conta na hora da escolha. Por isso, conversar com outros pais para saber mais da escola é importante.”

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