Na Fuvest, olho em biologia e geografia

As duas disciplinas foram as que tiveram menor índice de acertos em simulado da Fuvest realizado pelo Anglo a pedido do ‘Estadão.edu’; universitários reclamaram de cansaço na reta final da preparação

Elida Oliveira, Especial para O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2009 | 23h54

Biologia e geografia foram as matérias nas quais um grupo de 60 alunos menos pontuou em um simulado preparado pelo cursinho Anglo a pedido do Estadão.edu. A média de acerto de questões da turma nessas disciplinas ficou em 63 e 71 pontos, respectivamente.   Embora o desempenho geral seja considerado satisfatório, é justamente nessas disciplinas que podem entrar assuntos cotados para tornar o vestibular mais contextualizado. Numa pesquisa da reportagem sobre atualidades com 17 professores e coordenadores de 4 cursinhos pré-vestibulares, biocombustíveis, pré-sal, biomas brasileiros, Teoria da Evolução e doença de Chagas foram os mais citados como temas que podem cair na prova.   O coordenador-geral do Anglo, Nicolau Marmo, diz que o exame não teve, como o Enem, uma divisão por grau de dificuldade. "Não houve preocupação em nivelar as questões em cada disciplina. A Fuvest é isso. Só com a Teoria da Resposta ao Item (TRI, conjunto de modelos matemáticos usado no novo Enem) poderíamos estabelecer questões fáceis, médias e difíceis." Marmo acredita que isso não tira o mérito do simulado como oportunidade de rever as matérias. "Quando eles fazem uma prova e revisam o que erraram, é como se tivessem rendimento de 100%, porque viram todo o conteúdo."   No grupo de estudantes que fez o simulado, 96% são candidatos a uma vaga na Fuvest. Os outros 4% fizeram o exame porque consideram a prova um bom parâmetro de desempenho em outros vestibulares.   Os vestibulandos tiveram cinco horas para responder a 90 testes de português, matemática, história, geografia, química, física, biologia e inglês. Mais da metade do grupo (34) ficou na sala até o fim do período de prova, mas, depois de duas horas, alguns começaram a sair para ir ao banheiro.   Marcela Massarotto, de 18 anos, candidata a uma vaga em Direito na USP, PUC, Unesp e Mackenzie, aproveitou a oportunidade para se alongar. "É uma técnica que aprendemos no cursinho. A gente se espreguiça, estica as pernas, mexe o pescoço. O sangue não circula se ficamos muito tempo sentados."   Candidato a uma vaga em Arquitetura na USP, Felipe Golzio Barradas, de 18 anos, considerou a prova de geografia extensa e difícil. Thalita Suzuki Nogueira, de 19 anos, acha que se saiu mal na disciplina. "Deixei essa prova e a de história por último. Tive 30 minutos para fazer as duas e ainda preencher o gabarito."   Básicos Outros candidatos tiveram dificuldades com conteúdos básicos das disciplinas. "Estava difícil. Em química eu não lembrava de entalpia e velocidade da reação; em física, não lembrava de atrito. Agora vou revisar esses conteúdos", disse Allana Giordano, de 17 anos, candidata a uma vaga em Medicina na USP e na Unifesp.   João Eduardo Vieira, de 16, que também vai prestar Medicina (na Unesp, Unifesp e UFABC), achou a prova "chatinha" de fazer. "Tenho dificuldade com física e preciso ter paciência para ler os enunciados", admitiu.   Felipe Bueno, de 22, vestibulando de Medicina na USP, Unifesp e na Faculdade de Medicina de Marília (Famema), saiu do simulado pensando numa questão de biologia, sobre circulação sanguínea. "Não lembrava se o sangue ia do pulmão para o átrio. Marquei esta alternativa. Ou foi o contrário? Agora, me confundi."   Felipe disse que, mesmo tendo dificuldade em Exatas, não é por aí que vai começar a prova da Fuvest. Prefere dar atenção às questões de Humanas, que exigem concentração para interpretar. "Vou ler com a cabeça descansada, depois faço matemática e física."   Os estudantes também reclamaram do cansaço por terem feito simulados nos dias anteriores ao teste. Os que estão concluindo o ensino médio e se submetendo à preparação dos cursinhos têm a rotina de estudos ainda mais pesada. "Não dá tempo de dormir, tenho as tarefas mínimas da escola e as provas, os exercícios complementares do cursinho, os simulados. Cansa demais", diz Marcella, que acorda às 5h45 para ir à escola, vai para o cursinho à tarde e, de noite, estuda "até não aguentar mais". "Tenho de tomar um monte de café."   Conselhos Embora evitem falar em "apostas", "dicas" ou "palpites" para a Fuvest, os professores e coordenadores de cursinhos aconselharam os alunos a darem uma "olhadinha" em alguns assuntos antes das provas. Na consulta feita pela reportagem, ética, medo e vida moderna apareceram como possíveis temas da redação. Os professores também recomendaram que revisem temas de efemérides: os 150 anos da doença de Chagas, os 200 anos da Teoria da Evolução, os 20 anos da queda do muro de Berlim, os 50 anos da Revolução Cubana e os 60 anos da Revolução Chinesa.   Coordenadora de geografia do cursinho e do colégio Objetivo, Vera Lúcia Antunes, chamou a atenção para o peso crescente da disciplina no vestibular. Em maio, a Fuvest divulgou a relação de provas específicas para a 2ª fase: geografia se tornou obrigatória para 24 carreiras. "A matéria discute desde a guerra na Geórgia até o conflito dos arrozeiros da reserva Raposa Serra do Sol, e também meio ambiente, cartografia e as mudanças econômicas do mundo."     Números:  Notas: No simulado, 32 alunos fizeram entre 60 e 68 pontos, suficiente para aprovação em 44 carreiras da USP; 2 tiveram 77 acertos ou mais, nota de corte para Medicina em 2009.    Tempo: A prova começou às 14 h, com 60 estudantes. Cerca de 3h30 depois, só 4 alunos haviam terminado o exame. Mais da metade, 34, ficou até o fim.   Média: Matérias tidas como difíceis, matemática e física não tiveram alto índice de erros.

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