Na Finlândia, modelo mundial, maioria dos alunos faz ensino profissionalizante

Cerca de 80% desses estudantes vai para o mercado, mas eles têm a opção de fazer especialização 3 anos depois

Mariana Mandelli, Enviada especial

08 Outubro 2011 | 20h41

No sistema de educação finlandês – considerado o melhor do mundo –, a grande maioria dos jovens que optam por um curso de ensino profissionalizante após completar o equivalente ao ensino fundamental do País não dá continuidade aos estudos. Segundo Matti Haapanen, coordenador do EuroSkills e membro da delegação finlandesa no WordSkills 2011, maior evento de educação profissional do planeta, essa taxa chega a 80%.

 

“Eles vão direto para o mercado de trabalho porque o curso os preparou para a vida profissional”, explica Haapanen. No entanto, após três anos de experiência de trabalho, os egressos desse tipo de ensino têm direito a fazer uma especialização técnica. Já quando completam cinco anos de prática profissional, eles podem fazer uma espécie de mestrado.

 

Quanto à taxa de 20% restante, segundo Haapanen, 15% ingressam nas escolas politécnicas – que oferecem cursos como os tecnólogos brasileiros – e 5% optam por vivenciar a experiência de uma universidade tradicional.

 

Segundo Haapanen, dos que acabam os primeiros anos da educação básica finlandesa, cerca de 129 mil alunos vão para o ensino médio regular e cerca de 160 mil optam pelo ensino profissional, chamado de “vocational schools”. Ambos duram em média três anos.

 

Os alunos que acabam o ensino médio tradicional também podem optar por um curso politécnico. “As universidades ainda têm maior procura, mas, nos últimos anos, as escolas politécnicas têm atraído mais os jovens, por terem cursos mais práticos”, afirma o educador finlandês.

 

Segundo Haapanen, está crescendo, especialmente no sul da Finlândia, o número de escolas que oferece ensino médio com habilitação técnica (como ocorre no Brasil), em tempo integral. “Ainda é uma porcentagem pequena, mas está aumentando”, explica ele.

 

Cenário. A Finlândia está há várias edições no topo do ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), teste que  avalia, a cada três anos, a competência em matemática, ciências e linguagens de alunos de 65 países.

 

“A razão principal desse desempenho é que o nosso sistema educacional é simples e acessível a todos – todas as escolas do ensino básico, do 1.º ao 10.º ano, seguem, em todo o país, o mesmo ritmo”, diz Haapanen. “E a maioria é pública – estadual e municipal. São muito poucas as privadas.”

 

Com 5 milhões de habitantes, a Finlândia tem cerca de 40 mil matrículas por ano na escolaridade básica, o que resulta em um total de mais de 500 mil estudantes nesse nível de ensino. O governo gasta em média 6 mil euros por alunos por ano – dependendo do tipo de ensino, o valor varia de 4 a 10 mil euros.

 

Haapanen também destaca a alta qualificação dos professores e o status que eles têm na sociedade. “Mesmo com os salários não sendo tão altos – cerca de 40 mil euros ao ano, para os que lecionam nos primeiros anos da educação básica –, muitos jovens, ao terminar a universidade, desejam ser professores”, afirma ele, que considera  “impressionante”

o desempenho do Brasil no WorldSkills.

 

A repórter viajou a convite do Senai/CNI

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