Dida Sampaio/AE - 29.06.2011
Dida Sampaio/AE - 29.06.2011

Na Câmara, Haddad diz que 'MEC terá que enfrentar bandidos'

Professor pode ser indiciado pela Polícia Federal nos próximos dias, disse ministro

Estadão.edu

23 Novembro 2011 | 18h27

Um mês após o Enem, em depoimento na Câmara dos Deputados na tarde desta quarta-feira, o ministro da Educação, Fernando Haddad, ressaltou a preocupação do MEC em relação às práticas criminosas em torno da prova. ”Foi contratada uma empresa de gestão de risco para reduzir as práticas criminosas; mas não se iludam, elas continuarão a acontecer". Segundo Haddad, o MEC vai ter de enfrentar os “bandidos” que agem nessa área. Ele lembrou que há indícios de envolvimento de um professor de cursinho nos problemas deste ano e que ele poderá ser indiciado pela Polícia Federal nos próximos dias.

Em 27 de outubro, o Estadão.edu foi o primeiro a noticiar que mensagens postadas por um aluno no Twitter na noite do sábado (22 de outubro) já falavam que a apostila entregue pelo professor Jahilton antecipara questões do primeiro dia de provas do Enem. O material era discutido na rede. Na quarta-feira, terceiro dia após a prova, o Estadão.edu foi o primeiro a noticiar o caso das questões do simulado do colégio de Fortaleza, várias delas idênticas às do Enem 2011.

Durante audiência pública promovida pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, o ministro disse ainda que o índice de falhas está dentro dos padrões internacionais.

Questionado pelos deputados Duarte Nogueira e Vanderlei Macris (ambos do PSDB-SP) sobre a sucessão de falhas no exame ao longo dos anos, Haddad saiu em defesa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e do consórcio Cesgranrio-Cespe, responsáveis pela realização das provas.

Mais alunos

Haddad defendeu o Enem como o melhor modelo de acesso de estudante à universidade. Ele informou que o resultado oficial do Enem 2011, a ser divulgado nos próximos dias, vai mostrar que mais de 100 mil vagas das universidades públicas serão preenchidas por esse exame em 2012.

O ministro informou que o número de adesão de alunos subiu de 1 milhão nos últimos anos para 5 milhões em 2011. A prova deste ano teve abstenção de 25%, com mais de 1,3 milhão de candidatos faltosos.

Custos

O ministro esclareceu questionamentos sobre a suposta controvérsia entre os dados dos custos do Enem e eventuais diferenças entre os números apresentados pelo MEC e o Tribunal de Contas da União (TCU).

Haddad explicou que os custos estão ligados à natureza do contrato de realização das provas. “A legislação atual permite, no caso de serviços continuados, a realização de contrato com abrangência por mais de um exercício fiscal. O contrato atual é para 10 milhões de provas, e só a metade disso foi usada até agora.”

O ministro destacou ainda o baixo custo do Enem, quando comparado aos vestibulares. “No Enem, o custo é de R$ 48 por aluno inscrito, enquanto à média dos vestibulares é de quase R$ 100 por aluno inscrito.”

Ele acrescentou que todo o controle interno do MEC é feito por servidores de carreira da Controladoria-Geral da União (CGU), a fim de queimar etapas.

* Com informações da Agência Câmara

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