Christophe Archambault/AFP
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Na aula de inglês, sem medo de errar

É preciso ter em mente que aprender requer esforço e depende muito da disciplina e da força de vontade do aluno

Luiz Chantre*, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2017 | 16h45

Quando decidimos aprender qualquer coisa é preciso ter em mente que aprender requer esforço e depende muito da disciplina e da força de vontade do aluno. Então, quando a decisão é de aprender um idioma, é fundamental participar ativamente de todo processo, com dedicação, persistência e coragem.

Entre os desafios na aprendizagem do inglês está o de vencer a timidez ou a falta de segurança. Se a pessoa tem medo de errar, de tentar falar e escrever no idioma novo, geralmente, é porque não se sente acolhida no curso. Às vezes, o medo do aluno é de ser ridicularizado. É preciso mudar esse status quo, pois o erro é amigo do aprendizado. Desde pequenos, nosso cerebelo corrige o equilíbrio; ao darmos os primeiros passos, caímos, sentamos, levantamos e repetimos isso até não cometermos mais os mesmos erros.

Por isso é necessário encorajar o aluno a não ter receio de errar. Quanto mais se erra, tentando o novo, mais circuitos neuronais são disparados; e, quando se consegue corrigir um erro, o aprendizado é recompensador. O professor tem de ser treinado para saber como reagir ao erro. Se ele demonstra “linguagem corporal” agressiva, negativa, ameaçadora ou reprovadora, transmite uma mensagem de que o erro não é bom e deveria ser evitado. É preciso reagir com positividade e incentivar o aluno a tentar novamente e treinar a forma correta.

Agora, vale ressaltar que a aprendizagem do inglês com relação à escrita é mais difícil do que a fala porque o cérebro já tem em seu arcabouço de memória um conjunto de símbolos, que ele aprendeu e associou às sonoridades da língua materna. Embora a escrita possa ser mais difícil do que a fala, ainda há uma dificuldade imensa dos alunos brasileiros com a pronúncia. Há fonemas em inglês que não existem em português e que, como o aluno nunca ouviu, poderá ter dificuldade em reproduzir o som. Um exemplo: o th – think (pensar).

Aconselha-se atenção às aulas, dedicação ao estudo, usar música, livros e vídeos e levar o idioma para o dia a dia. O que se faz em inglês pode ser mais importante do que a aula em si, pois o aprendizado depende muito mais do aluno do que de onde estuda.

Muitos alunos abandonam os cursos nos níveis intermediários. Nestes níveis, o ganho que o aluno tem versus o esforço que precisa fazer para melhorar parece injusto. O aluno deve pôr minimetas para perceber que o aprendizado pode ser tangível e sentir o que chamamos sense of achievement (sensação de dever cumprido). Muitos alunos desistem dos cursos por falta de recursos financeiros, falta de tempo para se dedicar, estresse pela cobrança de resultados. Raramente, percebemos, desistem por não “conseguirem” aprender o idioma.

*supervisor de Instrução do Berlitz Brasil e pós-graduado em Neurociência Aplicada à Educação pela Santa Casa de São Paulo

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