Ministério da Defesa/ Divulgação
Ministério da Defesa/ Divulgação

Nº 2 do MEC, militar tem prestígio com a tropa e é conhecido por disciplina 'dura'

Ricardo Machado Vieira atuou como chefe do Estado-Maior da Aeronáutica

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2019 | 03h00

SÃO PAULO - O presidente Jair Bolsonaro nomeou na sexta-feira, 29, um militar para número 2 do Ministério da Educação (MEC). O cargo de secretário executivo estava vago desde o dia 13. Quem assume é o tenente brigadeiro Ricardo Machado Vieira, um experiente piloto de aviões de caça e ex-chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, mas sem muita familiaridade com a área de educação. A pasta vive uma crise que se arrasta há mais um mês, com 15 exonerações, medidas polêmicas e recuos. 

A informação foi dada com exclusividade pelo Estado. Apesar da expectativa de que Bolsonaro indicasse também um novo nome para o cargo de ministro, após desgaste de Ricardo Vélez Rodrigues, a decisão ficou para a volta da viagem para Israel. O presidente embarca neste sábado, 30, e retorna na quarta-feira. 

Vivemos um momento difícil. Quero tomar pé da situação e ver como a gente pode ajudar", disse Vieira ao Estado. Até então, ele era chefe de gabinete do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do MEC que cuida de compras de livros, transporte e merenda. O brigadeiro tem prestígio na tropa e é considerado um profissional dedicado. É amigo do general Augusto Heleno e conhecido por ser duro em questões disciplinares. “Um homem de missão”, disse ex-colega do Estado-Maior da Aeronáutica.

Segundo fontes, a escolha do militar teria a intenção de “organizar a casa” e combater a influência dos chamados “olavistas” no MEC. Na quinta-feira, 28, Vélez nomeou dois simpatizantes do guru do bolsonaristas, Olavo de Carvalho, para assessores diretos dele. O grupo é responsável por disputas constantes com militares e técnicos, o que tem levado a uma paralisia das políticas. 

Uma delas é a polêmica comissão formada para analisar questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que dependia do aval de duas pessoas que deixaram o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep). Uma delas, o próprio presidente Marcus Vinicius Rodrigues, é que decidiria se questões consideradas inadequadas pela comissão continuariam ou não na prova. Segundo o Inep, funcionários substitutos podem fazer o trabalho enquanto não há nomeações. 

Experiência

A única experiência de Machado Vieira na educação foi como secretário de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto do Ministério da Defesa até o ano passado. Entre suas várias responsabilidades estavam as instituições de ensino militares. O então reitor do Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA) Anderson Correia trabalhou com ele e lembra “sua grande capacidade de gestão”. Correia também está hoje em órgão ligado ao MEC, é o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “O comando executivo do MEC está em boas mãos.”

Veléz havia tentado ocupar o cargo de secretário executivo com indicações que foram desautorizadas pelo governo, como a da evangélica Iolene Lima. O ex-titular do cargo Luiz Antonio Tozi foi demitido, a pedido de Bolsonaro, após enfrentar os “olavistas”. Tozi era do chamado grupo técnico no MEC, foi dirigente no Centro Paula Souza, autarquia do governo paulista, e por isso chegou a ser chamado de “tucano” por Olavo./ COLABORARAM LÍGIA FORMENTI, ROBERTO GODOY e CAMILA TURTELLI

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