Mudança no ensino

Educação precisa mudar junto com as mudanças sociais

20 Setembro 2010 | 19h50

Por Lígia Fumi*

 

A educação está posicionada em primeiro lugar como a necessidade básica, depois daquelas consideradas vitais, como o alimento, vestuário e abrigo. É por meio dela que o indivíduo obtém ferramentas para alterar seu status social e reformular seu papel e atuação na sociedade. Proporciona a conquista, satisfação e ascensão social.

 

O mundo está mudado e necessita do desenvolvimento de novas habilidades e atitudes. Em paralelo surgem novos valores, expectativas e aspirações na nova geração. Diante deste cenário, torna-se imprescindível a mudança na forma de atuação das instituições de ensino. Para seguirem competitivas no mercado, elas precisam mudar sua forma de pensar e atuar, a fim de se adaptar ao novo perfil de aluno, motivado a discutir, colaborar, aderir a causas sociais e ambientais e que não enxerga mais as fronteiras geográficas como barreira.

 

Muito tem se falado sobre a "Sala de Aula do Futuro", mas esta é apenas uma das adaptações necessárias. É preciso rever o papel da instituição e o relacionamento entre o aluno e professor, componentes-chave de qualquer sistema de ensino. É necessário estreitar os relacionamentos e para isso é muito importante conhecer todos eles.

 

A metodologia de ensino e de aprendizagem também deverá passar por profundas mudanças: novas fronteiras, necessidades e especializações provocam esta transformação. A nova geração e a realidade do mercado impulsionam a mudança no perfil tradicional de ensino.

 

Pessoas desejam aprender mais e a qualquer momento. Uma grande prova disso é o crescimento do modelo Ensino a Distância, que apresenta um número crescente de alunos em busca de um modelo mais flexível de aprendizado.

 

Os dispositivos móveis, com seus aplicativos e as redes sociais, fazem parte da vida social e profissional da nova geração e inevitavelmente acabaram por contribuir com novos hábitos educacionais. Possibilitaram a entrega de conteúdo e a colaboração em tempo real, em qualquer lugar, horário e sem os limites físicos das salas de aula.

 

O ensino passa a ser colaborativo, rico em trocas e não mais de responsabilidade única da instituição. Professores passam a ter um papel adicional como administradores e intermediários do conhecimento, agora recebido de diversas fontes e criado a muitas mãos. É clara a necessidade de mudanças. E para isso ferramentas se fazem necessárias para suportar esta profunda transformação. A tecnologia passa a ter papel fundamental, por meio de uma nova forma de elaboração, linguagem, acesso e distribuição do conteúdo.

 

Além de ter se tornado um importante mecanismo para a entrega de ensino em regiões remotas, a tecnologia tem seu papel ampliado quando falamos na melhoria do aproveitamento dos recursos atuais das instituições para promover uma melhor gestão, aumentar seu conhecimento sobre o aluno e melhorar a qualidade do ensino entregue.

 

A questão do conhecimento sobre o aluno é fundamental não apenas para endereçar questões administrativas, mas principalmente como forma de melhorar a qualidade de ensino entregue, pois possibilita a criação de conteúdos e serviços personalizados.

 

Com isto, se torna possível a diferenciação entre instituições, ao criar um ambiente de ensino que permita ao aluno explorar ao máximo seu potencial, oferecendo recursos e ferramentas de colaboração, com conteúdo baseado em suas necessidades individuais, habilidades, deficiências e aspirações. Mas não apenas relações entre professores e alunos serão modificadas. As relações entre as instituições também deverão ser revistas. Surge um novo conceito de cooperação, sobretudo entre as instituições de pequeno e médio porte.

 

Itens como compartilhamento de infraestrutura de centros de processamento, laboratórios, bibliotecas e compras conjuntas irão contribuir para a sobrevivência em um mercado tão competitivo e cada vez mais dominado pelos grandes grupos.

 

Porém, vale lembrar que a tecnologia por si só não melhorará a qualidade de ensino, mas sim se for combinada com a participação dos gestores acadêmicos para a reformulação do conteúdo e adaptação da linguagem e formato de entrega ao aluno.

 

Não basta adaptar salas de aulas com novos apetrechos tecnológicos, se o conteúdo e o relacionamento entre professores e alunos não mudar. São muitos os ajustes necessários e para isso parcerias são importantes. Este é apenas o principio da revolução em nosso sistema de ensino.

"GERENTE DE MARKETING PARA O SETOR DE EDUCAÇÃO DA IBM BRASIL

Mais conteúdo sobre:
Ensino

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.